10 de julho de 2026
RELIGIOSIDADE

Católicos, espíritas, evangélicos, budistas e candomblecistas contam como é o Natal em diferentes religiões; ASSISTA

Por Melissa Toledo | da Redação
| Tempo de leitura: 6 min
Vatican News
Papa Francisco comanda a celebração de Natal na Basílica de São Pedro em 2019: data fundamental para os Cristãos

Cinquenta tons de led por todos os lados, tilintar de sinos pelas principais ruas e avenidas, acenos de simpáticos papais-noéis, estrelas cadentes, anjos e árvores decorativas se unem nesta época do ano para anunciar que “é Natal”.

Estes e outros símbolos da odisseia natalina anual dão as caras já em novembro e só são desligados e encaixotados em janeiro do novo ano, mais comumente no Dia de Santos Reis, 6 de janeiro.

Toda essa atmosfera tem os pés bem fincados no apelo comercial e o tal “verdadeiro sentido do Natal” muitas vezes fica relegado a segundo plano. Mas, qual é o real sentido do Natal? Não existe uma só definição, especialmente no âmbito da religiosidade e das crenças.

Por isso, a reportagem do GCN buscou, junto a líderes de diferentes religiões que tem representantes na cidade, saber como cada uma delas comemora uma das datas mais relevantes do ano.

Rosinha Aylon, Fernandinho do Cenáculo, Edson Cunha, Fernando Rosa e Bruna de Ogum falam sobre como é o Natal para os espíritas, católicos, evangélicos, budistas e candomblecistas, respectivamente


Católicos
O nascimento de Jesus Cristo, filho de José e Maria, é a grande representação da data para os católicos, e os fiéis costumam ir à igreja para ações religiosas. A principal delas é a Missa do Galo, realizada pelo Papa na Basílica de São Pedro, sede do Vaticano, em Roma, e replicada mundo afora. As festividades em família em torno de uma ceia no dia 24 predominam e os presépios de Natal são uma importante e muito usada representação da religião.

O diácono Fernando Antônio Costa, o Fernandinho do Cenáculo Imaculado Coração de Maria, disse que o momento é de celebrar o nascimento de Jesus, que ele define como “o verbo de Deus que se fez carne, o Deus que se humaniza para que a humanidade seja divinizada”. “Essa é a grande graça do Natal, encontrarmos esse Deus que vem para devolver as nossas esperanças”, disse. Ele segue explicando que, para os cristãos, Jesus vem para trazer paz aos corações, cura aos adoecidos e a libertação para os que estão tomados pelo mal.

Sobre o real sentido do Natal, Fernandinho diz que é um só. “Embora o mundo tenha colocado tantos personagens a serem lembrados no Natal, o grande e que precisa ser recordado é Jesus Cristo. O verdadeiro sentido do Natal é recordar esse Deus que nos visita para nos transformar”, afirmou.

Para ele, a melhor maneira de celebrar o Natal é com a “Santa Missa”. “Como nós poderíamos celebrar a presença de Jesus vivo se nós não formos acolhê-lo na eucaristia, onde ele se faz presente?”, questiona. Pode-se comemorar em festa com os familiares, sustenta Fernandinho, "mas sem se esquecer da presença do aniversariante, que é Jesus".

Espíritas
Celebrações singelas e discretas são as mais comuns entre os espíritas. A data é considerada importante, um momento de paz e reflexão sobre os ensinamentos e mensagens deixados por Jesus Cristo.

Rosinha Aylon, espírita, conhecida principalmente por seu trabalho filantrópico junto ao Berçário Dona Nina, disse que o verdadeiro espírito de Natal está dentro de cada um e se chama “renascimento”. “Nosso Mestre Jesus veio pregar o amor, e é o renascimento Dele. Ele pede que nos amemos uns aos outros, e é esse o presente que o aniversariante necessita, em todos os dias do ano”, afirmou.

Ela alerta sobre como deve ser, na visão da fé que professa, a noite de Natal. “Esse aniversariante não quer que a gente fique limpando casa, correndo atrás de coisas, comprando, vendo que roupa vamos usar. Ele quer que estejamos prontos interiormente, felizes, com o coração livre e aberto para amar e perdoar sempre. Esse é o motivo do Natal. Reunir, mas reunir com intenções boas”, disse.

A passagem de um ano para ao outro significa literalmente uma mudança de ciclo. “Temos que melhorar a cada passagem de ano, cumprir a promessa de sermos melhores, e é isso que todas as religiões pregam: melhorar, amar, perdoar e não desejar mal ao próximo, para que a gente não caia nas tentações do caminho.”

Evangélicos
Assim como os católicos, os evangélicos celebram o nascimento de Cristo no Natal. Para os seguidores da religião, não há missas. As celebrações acontecem em cultos em igrejas ou são feitas com orações em casas.

Pastor evangélico há 22 anos, Edson Cunha Batista, líder da igreja Assembleia de Deus do Bairro Santa Cruz, disse que o Natal é um momento muito especial, sempre comemorado de forma alegre, em família. “O Natal representa o nascimento do Messias, novas esperanças e perspectivas. É o nascimento do Salvador, pelo qual toda a humanidade esperava. Então, por que não comemorar de uma forma alegre, reconhecendo a vinda do senhor? Comemore, sim, o Natal. Faça o seu melhor, tenha paz, tenha alegria, procure de uma forma toda especial reconhecer que o Salvador chegou e está até hoje no meio de nós”.

Sobre a passagem de ano, ele disse ver como o nascimento de um ciclo de vida. “É o futuro que está iniciando, devemos comemorar. E nós, evangélicos, procuramos, nesta data memorável da passagem de ano, nos reunir com a igreja, estar ali agradecendo a Deus no momento da passagem, agradecendo pelos benefícios, pelas bênçãos alcançadas em todo ano, mas também pedindo ao Senhor que venha nos ajudar, nos fortalecer para enfrentar e esperar o novo ano que está surgindo.”

Candomblé
O Candomblé cultua as forças da natureza, que são representadas pelos orixás, cada um com sua qualidade, energia e força. Ela e outras religiões de matriz africana não cultuam santos católicos, não são cristãs e não há, portanto, sentido no Natal visto como a celebração do nascimento de Jesus.

Para os candomblecistas, no entanto, esta época do ano não deixa de ser comemorativa.

A yalorisa Bruna, mãe de santo na casa de candomblé Ilê Alaketu Asé Orun Aye, no bairro Vera Cruz, em Franca, disse que a vida é constantemente comemorada nas casas da religião. “É o momento de agradecer aos orixás, de praticar amor entre as pessoas. Por mais que nós não comemoramos o nascimento do Jesus, nós comemoramos o início da vida. Não celebramos o Natal em apenas um dia. Para nós, todos os dias temos que renascer para o melhor, e não se esquecer do nosso próximo”, disse.


Budistas
No budismo, as comemorações natalinas não têm uma característica particular. Entre os praticantes, há respeito pelas comemorações tradicionais e pela figura de Jesus Cristo, mas a data não tem uma representação cristã, e sim um caráter espiritual. A grande comemoração budista acontece em maio, quando se celebra o nascimento e a morte de Buda.

“Como budistas, não somos contra nenhum tipo de manifestação e até participamos juntos. Não pode haver distinção, sempre respeitamos as origens de cada religião”, disse Fernando Luís Rosa, líder da sede do BSGI (Associação Brasil Soka Gakkai Internacional) em Franca.

Segundo ele, a virada de um ano para o outro é um momento especial para os praticantes. “O Ano Novo, para os budistas, é um momento de reflexão e renovação, ou seja, de tentar melhorar aquilo que não está bom naquele momento e planejar uma mudança melhor para nossa vida, além de ajudar outras pessoas a fazerem o mesmo. O mais importante é ser feliz”, afirmou.