A idosa Odete de Carvalho Lopes Mathias, de 62 anos, morreu no início da tarde desta terça-feira, 30, duas horas após dar entrada na Santa Casa de Franca. A mulher chegou ao hospital por volta das 6h de hoje. Nas horas seguintes, teve duas paradas cardíacas e não resistiu. Segundo a Santa Casa, o prontuário, com a causa morte, será encaminhado ao SVO (Serviço de Verificação de Óbito), para análise do caso.
Portadora de lúpus, a mulher chamou a atenção nessa segunda-feira, 29, ao ficar desfalecida no banheiro do Pronto-socorro Municipal “Álvaro Azzuz”, enquanto aguardava por atendimento na unidade. A família acredita em negligência no atendimento no PS.
De acordo com o filho de Odete, Washington Mathias, a idosa chegou ao PS por volta das 15h. Minutos depois, passou por acolhimento, onde foi tratado como caso não-prioritário. “Minha mãe estava passando muito mal, vomitando e com dores abdominais. Na triagem, disseram que o caso dela não era prioridade. Mas, qualquer um, mesmo que leigo em medicina, se olhasse pra ela ia falar que era questão de internação”, disse.
Como as dores eram constantes e Odete não parava de vomitar, seu filho e a nora resolveram levá-la ao banheiro do PS. Foram cerca de três horas lá dentro, até que a presença da mulher no local começou a chamar atenção e gerar constantes reclamações. Foi quando Odete foi levada para a parte interna da unidade.
“Ela estava passando muito mal e vomitando, foi quando nós a levamos para o banheiro. Aí todos começaram a reparar e o pessoal do PS viu que estava virando contra eles e decidiram levar ela lá para dentro. Lá dentro, ainda estava cheio de gente, ela teve que aguardar e demoraram para colocar o medicamento nela”, contou.
Mesmo já recebendo atendimento médico, o quadro da idosa foi só piorando. Os médicos então solicitaram transferência para a Santa Casa de Franca, por volta das 23h.
“Por volta de 23h, tentaram um leito na Santa Casa, mas estava lotada e não tinha leito.”
Sem sucesso, por volta das 4h, tiveram que contar com o auxílio do oxigênio e tentar novamente a transferência. “Deu 4h, ela passou muito mal, colocaram no oxigênio e viram que era questão de vida ou morte. Foi quando levaram ela para Santa Casa e, por volta das 6h, ela deu entrada.”
Odete deu entrada na Santa Casa de Franca às 5h29. Ao chegar, recebeu atendimento, mas teve uma primeira parada cardíaca. Os médicos, então, optaram por intubar a idosa. Mas, momentos depois, ela teve uma segunda parada cardíaca e não resistiu.
“Ela teve uma parada cardíaca e intubaram ela. Logo em seguida, deu a segunda parada cardíaca e ela não resistiu”, lamentou Washington.
Devido a todas as dificuldades enfrentadas, desde o PS até a Santa Casa, os familiares acreditam em omissão e negligência médica. “Já de início, ali na parte do acolhimento, deveriam ter visto as condições dela. Quem viu ela já notou que era uma pessoa que não tinha condições”, disse o filho.
“É difícil falar o que a gente sente. É um pouco de raiva, porque estamos vendo a saúde pública precária e também um pouco de tristeza, por ter perdido uma pessoa”, completou.
O corpo da idosa será velado no São Vicente, a partir das 10h de quarta-feira, 1º. A família ainda não definiu o local do sepultamento.
A Secretaria de Saúde Municipal informou que um processo administrativo foi instaurado para apurar a atendimento prestado à idosa. E, em nota, diz que a iniciativa de colocar a idosa no banheiro foi da acompanhante. Confira a resposta completa:
“A Secretaria de Saúde informa que a paciente Odete Batista de Carvalho deu entrada no Pronto-Socorro "Dr. Álvaro Azzuz", no dia 29, às 15h38 e às 15h45 passou por acolhimento. Na unidade, recebeu atendimento médico e realizou exames complementares, sendo encaminhada através do Sistema Cross à Santa Casa de Franca.
Comunica que a paciente foi colocada no toilette da unidade pela própria acompanhante, que não solicitou auxílio à equipe do Pronto-Socorro.
Reiteramos que, em momento algum, a paciente foi colocada no toilette, por qualquer integrante da equipe técnica do Pronto-Socorro.
Informa também que foi instaurado um processo administrativo para apuração detalhada do caso, tanto na Corregedoria Municipal, quanto no Conselho de Ética da Secretaria de Saúde.”