10 de julho de 2026
FRANCA 197 ANOS

Alexandre admite dificuldades na Saúde e promete 10 mil consultas para aliviar espera

Por N. Fradique | Da Redação
| Tempo de leitura: 6 min
Reprodução/GCN
Corrêa Neves Jr e Alexandre Ferreira: decisão sobre o uso de máscaras em local público fica para 11 de dezembro

Franca comemora neste domingo, 28 de novembro, 197 anos. Na mesma data, o prefeito Alexandre Augusto Ferreira (MDB) também comemora o seu aniversário. Neste novembro de 2021, o prefeito se aproxima de completar um ano de mandato. Na última quinta-feira, 25, Alexandre Ferreira deu uma entrevista exclusiva ao GCN. Disse que o enfrentamento da pandemia tem sido o grande desafio até agora, admitiu problemas pontuais na saúde, como no PS Infantil, e detalhou como tem enfrentado problemas que geram muita reclamação, como a multiplicação dos moradores de rua, a falta de médicos na rede, o crescimento da criminalidade e a violência no trânsito. Respondeu também sobre o que o levou a cancelar o Carnaval, apesar de manter o Réveillon. A transformação na economia da cidade, cada vez menos industrial, foi outro assunto discutido. De modo geral, o prefeito está otimista. “Temos pela frente mais três anos, que vamos correr para quatro”, garante.

Nessa espécie de balanço de sua administração até agora, o tema pandemia foi o tópico que ganhou mais espaço. Alexandre lembrou que a população já passou por outros momentos de enfrentamento de epidemias, mas com a Covid é diferente. “Nada se compara com o estrago, com a angústia, as dificuldades, o sofrimento que esse vírus causou. Os desarranjos econômicos que ele trouxe pra nós, com os problemas se saúde adventos no pós-Covid, coisas que nas outras pandemias não aconteceram. Nas outras vezes, pegou a doença, curou e tocou a vida normal. No caso da Covid, em alguns pacientes não é bem assim. A gente tem visto pacientes com sequelas sérias. É uma doença grave que a gente precisa se segurar na vacina. Quando a gente pensava que o vírus iria terminar, tivemos em janeiro o maior número de casos, causando um transtorno forte e desafios que foram vencidos nesse ano. Então, temos agora (que) nos próximos três anos correr como se fossem quatro. Temos que realizar tudo aquilo que estava previsto para este ano no próximo ano e, daí pra frente nos outros dois anos finais acabar por cumprir tudo aquilo que a gente ‘combinou’ com a população”.

Apesar de ter se posicionado durante a campanha eleitoral contrariamente ao lockdown, Alexandre acabaria forçado pelas circunstâncias a recuar e adotar a medida para conter o vírus. Mal tinha completado os primeiros cinco meses no cargo, quando surpreendeu muitos eleitores e decretou lockdown em Franca. “A gente assumiu em janeiro e tínhamos 13 leitos (UTI Covid) financiados pelo Estado. O crescimento (do número de casos foi) assustador, que foi o rebote do Natal e Ano Novo. O sistema público, o privado, o barato, o caro, tudo entrou em colapso naquele momento. Nossa maior dificuldade era abrir mais vagas (leitos). Meu temor era não ter atendimento médico para as pessoas e acabar morrendo gente nos corredores. Mesmo saindo de 13 leitos para mais de 120 leitos (incluindo a região) tivemos que, infelizmente, decretar o lockdown. Recorri ao Estado, ao Governo Federal e ninguém se manifestou. Nenhum prefeito é a favor de lockdown, nenhum prefeito quer fazer as pessoas sofrerem com lockdown, mas também não pode admitir que pessoas morram sem atendimento”. O lockdown na cidade durou de 27 de maio até 10 de junho.

Em vários momentos, Alexandre alternou elogios à sua equipe e críticas aos grupos políticos adversários. "As pessoas esperam que um político seja verdadeiro, que consiga conversar e transitar em todos os assuntos de uma maneira franca, de coração, sem precisar maquiar, sem transformar aquele político no que ele não é”, alfinetou. “Tem cara que na hora que você aprofunda na conversa, ele não dá conta de sair dela, não sabe falar, não sabe fazer nada. Promete as coisas e sabe que não vai cumprir”, criticou.

Alexandre Ferreira falou ainda sobre as razões que o levaram a comprar medicamentos do kit Covid (Ivermectina, Cloroquina e Azitromicina) em janeiro do ano passado, mas admite que mudou. “Hoje não faria isso. Continuo comprando os medicamentos (sem eficácia no tratamento à Covid) para outros agravos da saúde”.

Saúde

Sobre os problemas recentes de lotação no Pronto Socorro Infantil, gerando muita reclamação da população, Alexandre reafirmou que faltam médicos na rede municipal. “O problema da falta de médicos é uma coisa crônica, não só de Franca como em qualquer outro lugar. Há dificuldades para conseguir médicos, a gente faz concurso, não tem médicos. Agora vamos contratar uma empresa aqui de Franca para realizar 10 mil consultas, sendo 4 mil de imediato”.

Sobre abolir uso de máscaras em áreas abertas a partir de 11 de dezembro, medida anunciada pelo governador do estado de São Paulo, o prefeito de Franca disse que ainda vai aguardar antes de definir o que estabelece para Franca. “Eu acredito que a máscara ainda é um instrumento eficiente de controle de transmissão da doença. A gente vai esperar chegar no dia 11 para entender direito, conversar com a comunidade. Mas eu, enquanto servidor de saúde, (acredito que) a máscara é importante”.

O prefeito já havia informado o cancelamento do Carnaval 2022, mas não havia se referido ao Réveillon, já que a administração passada realizou vários shows de final de ano em várias partes da cidade. “Em anos passados aconteceram festas de final de ano promovidas pela prefeitura, shows ao ar livre. Eu não vou fazer isso”. Mas as festas particulares estão autorizadas.

Orçamento

Alexandre destacou que espera ter mais tranquilidade para administrar a cidade com o novo orçamento de mais de R$ 1 bilhão (R$ 1.041.955.356,54) elaborado por governo, projeto já aprovado pela Câmara Municipal. “Trabalhar com os recursos com um planejamento que você fez é muito mais tranquilo, muito mais fácil. Mas mesmo a gente trabalhando com o orçamento que o Gilson (de Souza) preparou, que na minha opinião tinha alguns acertos, mas alguns erros, os vereadores nos ajudaram demais porque entenderam a necessidade de fazer a mudança (alterações orçamentárias). A Câmara percebeu a gravidade da situação e nos ajudou nessas mudanças, nesses ajustes necessários (remanejamento de verba) que quase toda semana foram precisos e será preciso até o final do ano. O que eu espero é que no ano que vem a gente tenha um pouco mais de tranquilidade, porque nós planejamos metas para o ano inteiro e temos objetivos a serem cumpridos, degrau a degrau, para cumprir todo o orçamento sem sobressaltos”.

Violência

Alexandre disse está tentando soluções junto aos órgãos do Estado e buscando repatriar policiais civis e militares que estão trabalhando fora de Franca para combater o crescimento na violência. Sobre o trânsito, outra fonte de problemas, ele acredita que é uma questão se educação, mas disse que a prefeitura vem realizando ações para melhorar as vias e o fluxo onde há problemas. “Acho que a solução são intervenções pontuais onde há os problemas no trânsito para evitar acidentes", afirmou. Que ninguém espera radares para conter as mortes e acidentes no trânsito. "Sou contra radar que fotografa e manda a multa para as pessoas”, afirmou.

Participaram da entrevista com o prefeito o diretor do portal GCN, Corrêa Neves Jr., o editor Wilson Marini, o repórter N. Fradique e o comentarista Adriel Cunha. A entrevista será exibida numa edição especial da Live do GCN, transmida neste domingo, 28, a partir das 21h30, nas redes sociais do GCN e da rádio Difusora AM 1030 khz no Facebook e Youtube.