09 de julho de 2026
BALTAZAR GONÇALVES

Franca somos nós há 197 anos

Por Baltazar Gonçalves | especial para GCN
| Tempo de leitura: 2 min

A notícia de que as três colinas era espaço bom para se viver correu mundos, e ainda hoje celebramos o clima ameno, a terra boa para o café, a gente hospitaleira desse solo gentil mãe e patrão de tantos.

Uma cidade nunca aparece no mapa de repente, Franca surge aos poucos da necessidade de muitos. Franca era uma vez ponto de paragem no caminho entre os litorais de São Paulo e o centro do centro do país epicentro de Goyás, assim escrito com “Y” por marcar a influência das línguas nativas resistentes à colonização predatória portuguesa-bandeirante. Franca nasce entreposto comercial oferecendo pousada para aqueles que iam no percurso do gigantesco “Y” abrindo em picadas-estradas, caminhos novos de duas mãos, em busca da fortuna na forma de pedras preciosas, índios e negros escravizados fugitivos e sal.

O leitor talvez esperasse uma crônica leve, parnasiana?! O tempo da inocência fica restrito aos jardins da infância. É notório que toda civilização é erguida em conflitos, cada cidade é um marco dos avanços e retrocessos que compõem a marcha do progresso nem sempre sinal de evolução. Mas Franca se ergue Vila, atrai mineiros vizinhos de margens, e depois, já emancipada como cidade, por ser apelo do progresso, atrai o capital acumulado pela crescente produção do café atraindo as massas imigrantes de italianos fugidos da opressão europeia para dentro das fábricas de calçado novo ciclo econômico que nos forma francanos.

Dizer que Franca é uma cidade operária não minimiza o poderio econômico nem a influência ideológica liberal dos barões do café ou mesmo o poderio aristocrata fundador das mentalidades que circulam ainda hoje, mas é a força da mão de obra resiliente do povo francano que vai assegurar a permanência e a constância no motor do progresso para todos.

Essa vila Franca do Imperador que já foi chamada de Athenas da Mogina e reconhecida no mundo todo como a capital do Basquete também será chamada a Capital do Verso se depender da utopia desse cronista que deveria ser mais historiador do que poeta para fazer jus aos 197 anos de existência do berço que nos embala: Franca!

Assim como as cidades, a poesia não aparece do nada. Franca é um poema épico escrito nos últimos 200 anos por mãos anônimas trabalhadoras, investimento de capitais nos ciclos econômicos, e o intelecto ativo de agentes culturais de todas as épocas.

“Nosso povo é nossa força” diria a dona Franca, moça toda prosa, soprando as velas do bolo que deve ser repartido entre todos de forma justa para que aqueles que são a carne e o sangue da cidade possam continuar fomentando a economia criativa dos novos tempos.

Franca somos nós, feliz aniversário!!