09 de julho de 2026
VIRALIZOU

'Sempre vi memes do Enem e dizia 'que burro'. Só que agora esse cara sou eu'

Por Higor Goulart | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Arquivo pessoal
Lucas Ortiz, de camisa preta, junto aos estudantes da República Curral, que o recepcionaram durante sua passagem por Franca

O Enem é um grande proporcionador de memes e histórias, seja de pessoas atrasadas ou de casos curiosos. O jovem Lucas Ortiz Alves, de 21 anos, sempre deu risadas dessas histórias. Só não imaginava que um dia seria protagonista de uma delas, e das mais hilárias. E a sua vez chegou justamente no Enem deste ano. O garoto tímido da Barra Funda, bairro de São Paulo, errou a cidade para realizar o vestibular e veio parar em Franca, a aproximadamente 400 quilômetros de casa. “Eu sempre olhei aqueles memes e falava: 'nossa, que cara burro'. Só que agora esse cara sou eu. Dou risada da mesma forma, mas acontece”.

A viagem de Lucas aconteceu por conta de uma falha, que custou caro. Mais precisamente, R$ 300 em passagens por enquanto. Ele estava em casa, dia 26 de setembro, último dia para se inscrever no Enem. Escolheu a opção digital da prova e concluiu a inscrição. Não poderia mais voltar atrás. “Eu selecionei o Enem Digital. Só que não tinha vaga em São Paulo, só em Franca. Daí, eu finalizei e coloquei para fazer a prova aí. Mas não dava para trocar mais”.

Ato seguinte, o jovem achou que a cidade era só um detalhe, que ele faria a prova em casa, devido à pandemia. “Eu não imaginei que a prova seria em Franca (presencial). Achei que o Enem Digital seria na minha casa, por conta da pandemia, distanciamento e tudo o mais. Aí saiu o edital, e eu vi que teria que ir até aí. Eu não podia perder, mas fui bem assustado”, completou.

O rapaz, então, não teve como escapar da viagem. No último domingo, 21, pegou ônibus na capital e chegou ainda pela manhã em Franca. Tempo suficiente para chegar até a Unifran, onde realizaria a prova. Só que a tensão era tamanha que Lucas esqueceu que poderia pedir um motorista de aplicativo e resolveu ir a pé para a universidade. “Eu não conhecia nada da cidade, não sabia chegar da rodoviária até a faculdade. Na hora, esqueci que existia Uber. Fui andando até a faculdade”, contou.

Passada toda a aventura inicial, chegou enfim o momento de o paulistano realizar o exame. Entrou na sala de aplicação, ligou o computador, mas aí um novo problema: a energia da sala caiu. “Eu fiquei com o computador desligado por 40 minutos, porque acabou a energia da sala. Então, demorei mais e fui o último aluno a sair da sala”.

No tempo em que realizou a prova, a história da "viagem" de Lucas já tomava conta de todo o país. Era uma das matérias mais lidas no portal G1. Amigos que não sabiam da aventura já começavam a zoar, e Lucas era esperado por alguns fãs na porta da universidade francana. “Quando saí, algumas meninas estavam me esperando na saída e perguntaram se eu queria ajuda. Tudo pessoas que me reconheceram por conta da matéria. Estavam até paradas com uma plaquinha escrita Lucas”.

Com o término do primeiro dia de exame, mas também com as primeiras horas de fama, Lucas precisava voltar para casa. Mas seu ônibus só sairia para São Paulo à 0h30 da segunda-feira. O jovem, então, foi convidado a passar algumas horas na República Curral, que reúne estudantes da Unesp. Por lá, ele foi bem cuidado, até o momento de voltar para casa. “A República Curral me buscou lá e falou para eu ir para lá. A galera por lá conversou comigo, brincamos e depois me levaram na rodoviária”.

Agora, Lucas se prepara para voltar a Franca no próximo domingo, 28, quando acontecerá a aplicação do segundo dia de prova. A expectativa é grande, para que ele consiga a nota para conseguir uma bolsa em Direito, mesmo com as dificuldades da viagem. “No primeiro dia, apesar de toda essa situação, que me deixou cansado e tenso, eu consegui fazer uma boa prova. Já no segundo dia, creio que vou no sábado, então vou conseguir descansar melhor”, finalizou.