Os pais de um adolescente negro afirmam que a equipe de uma unidade da loja esportiva Centauro acusou o jovem de 15 anos de furtar um relógio.
Segundo relatos dos pais nas redes sociais, o caso aconteceu na quarta-feira (10), no shopping Center Norte, na zona norte de São Paulo.
De acordo com a Secretaria de Estado da Segurança Pública, o caso foi registrado como discriminação racial pela Decradi (Delegacia de Crimes Raciais e Delitos de Intolerância). Por se tratar de autoria conhecida, o caso será encaminhado ao 9º DP (Carandiru), área dos fatos, para a investigação.
"Era para ser um passeio entre pai e filho e a noite foi transformada em constrangimento, indignação e uma sequência de despreparo e ações absurdas por parte dos colaboradores da loja", escreveu a mãe do jovem, Kamila Silva, em rede social.
"Ainda na porta da loja, na frente de clientes e já acompanhados pela segurança do shopping acionada pelo vendedor, foram abordados sobre o sumiço do relógio e informados que eles precisariam ser revistados", narrou ainda. "O plus da história? Meu esposo e filho são negros, mas certamente isso é apenas uma coincidência, correto?!", ironizou ela, para quem o caso retrata o "racismo estrutural".
O pai do rapaz resolveu, então, chamar a Polícia Militar. À polícia, funcionária da loja disse que um smartwatch da Apple, de R$ 1.900, sumiu, segundo entrevista do pai do adolescente ao portal G1. "Eu senti que ali era puro racismo, puro preconceito, meu coração batia tão forte que falhava, eu tremia. Nessa hora já tinha um monte de gente olhando, querendo ver se eu ia ser preso. Fiquei com muita vergonha. Mas meu filho não tinha roubado nada, eles é que tinham de ter vergonha. Eu vou morrer e isso não vai acabar. A gente é qualificado pelo tom da pele", afirmou o pai.
Após o episódio, um boletim de ocorrência por discriminação racial foi registrado. "Vamos em frente até o último milésimo, porque, nem em meus piores pesadelos, imaginei um filho passando por isto", disse a mãe em seu post.
Kamila afirmou ainda que agora o jovem está bem e acolhido. "Felizmente, era o tipo de conversa que já tínhamos feito com ele em casa e, por sorte, o pai estava junto para defendê-lo", concluiu.
O caso ganhou repercussão nas redes sociais, com críticas à postura da loja.
A reportagem enviou e-mail à assessoria de imprensa indicada no site da loja Centauro, mas não obteve resposta.
Ao G1, a loja afirmou que "está apurando os fatos com prioridade e com a profundidade que o caso exige". "A abordagem relatada não é prática da companhia e nem reflete o posicionamento e os valores da Centauro, uma empresa que não tolera atos de injustiça ou de discriminação e preconceito", disse.