11 de julho de 2026
NOVO ESPORTE

Beach Tennis vira febre, cativa atletas e quadras de areia se espalham por Franca

Por Kaique Castro | da Redação
| Tempo de leitura: 6 min
Dirceu Garcia/GCN
Ricardo Giannechini, ex-atleta profissional de basquete: mudança para quadra de areia e realização como professor

“A gente costuma dizer: não entre. Porque se entrar, o bicho pega e não sai mais”. Quem garante é o ex-jogador de basquete Rógerio Klafke, numa tentativa de explicar sua nova paixão, o beach tennis. Aos 51 anos, foi na modalidade completamente diferente daquela que o consagrou que encontrou um jeito de se manter em forma, unir a família e ainda matar a sede de competitividadem característica que traz no DNA.

A paixão que arrebatou Rogério Klafke vem se multiplicando e ganhando cada dia mais adeptos em vários pontos de Franca. Hoje é comum, para quem anda pela cidade, ver quadras de areia cheias de praticantes com suas raquetes -  mesmo, em horário comercial.

O esporte que surgiu no fim dos anos 90, em Ravenna, na Itália, só chegou ao Brasil uma década depois. Viralizou primeiro no Rio de Janeiro. Cidade praiana, clima tropical, dificilmente o resultado seria outro. Dali, ganhou o Brasil.

Jogadores de beach tennis praticam em Franca: nos últimos meses, quadras se multiplicaram na cidade 

Dinâmico e muito divertido, o beach tennis entrou na vida de Ricardo Gianecchini, 41, também ex-atleta de basquete, por acaso. Anos depois de sua aposentadoria precoce das quadras, Ricardo trabalhava com seu pai, Fausto Gianecchini, outro ídolo do basquete, em projetos sociais, mas buscava um esporte para manter a forma física.

“Eu estava na quadra de areia, brincando com meu filho, quando um amigo me chamou para jogar. Eu já havia tentado jogar tênis e estava receoso porque tinha ido muito mal. Tive muita dificuldade (de aceitar). Mas eles insistiram e eu acabei indo bater uma bolinha com eles. No primeiro momento que jogamos, eu senti a diferença e pensei: ‘esse esporte é mais fácil’. Tive uma sacada e pensei comigo mesmo: ‘vou fazer aula’. Procurei um professor em São Paulo e comecei", relembra.

Após ir a São Paulo em busca de um professor para melhorar sua performance em quadra, Ricardo descobriu que faltavam profissionais. “O professor disse que estava buscando alguns novos profissionais para treinar a modalidade. Então eu decidi me capacitar. Fiz aulas em São Paulo, procurei amigos do tênis e comecei a jogar. Quando vi, já estava em um nível maior que o pessoal”, explica Ricardo.

O convite de um amigo para que desse aulas da modalidade acabaria levando Ricardo a dar mais um passo importante. “Mudou minha vida completamente. Sentia falta da competição e isso me ajudou muito. Eu sempre fui ligado à natureza, amo praia. E o beach tennis é isso, um esporte que todo mundo participa, que une muita gente, e é muito fácil de jogar”, garante o agora professor da modalidade.

Paixão de atletas
O aumento da popularidade do esporte aproximou atletas e ex-atletas de outras modalidades. Cinco vezes campeão nacional por Franca e Vasco da Gama, Rogério Klafke começou a praticar o esporte no ano passado e já está prestes a se tornar profissional.

“É um belíssimo exercício. Já estou competindo, mas uma categoria abaixo da profissional. É um esporte que está explodindo. E o legal disso é que muitas pessoas que não realizavam nenhum tipo de esporte, nenhuma atividade física, estão se sentindo atletas por causa disso. É um esporte que não machuca, que todo mundo pode jogar. Em todos os níveis do jogo ele é legal. Do iniciante até o mais profissional, ele é legal. Pode jogar o baixo, o alto, o magro, o gordo, todos os tipos de pessoas. É um esporte mais fácil e bastante democrático”, comemora Rogério.

Rogério Klafke, cinco vezes campeão brasileiro de basquete, disputa partida de beach tennis com o empresário Douglas Colani: resgate da competitividade

Por ser praticado ao ar livre, a modalidade cresceu muito na pandemia. “Tomou uma proporção tão grande que quem pratica chama os amigos, parentes... Minha família inteira joga. Eu uso o esporte como lazer, como uma opção de me manter em forma. Sempre gostei de academia, mas a modalidade ativa de novo a minha competitividade, o que me faz muito bem”, explica Rogério.

Revelação
Essa integração também foi experimentada pelo jovem Elias Giolo, considerado por treinadores de Franca como uma promessa no esporte. Elias, que atuava no Sesi Franca Basquete, também foi impactado pela pandemia e decidiu mudar de esporte.

“Começou a parar tudo por causa da pandemia. Neste momento, eu já estava começando a deixar o basquete de lado, já não estava com muita oportunidade e comecei a desanimar. Meu irmão me chamou pra jogar beach tennis. Na época, eu não sabia nem o que era isso. Como estava em casa à toa eu acabei indo e gostei. Cheguei lá, não sabia nem segurar a raquete, mas foi onde eu me descobri, sabe? Foi onde eu falei pra mim mesmo: ‘achei o meu verdadeiro esporte"’, contou o jovem, de apenas 16 anos.

Apesar da idêntificação imediata com o beach tennis, Elias ainda tinha que explicar para os pais que desistiria da carreira de jogador de basquete para se aventurar em um esporte novo.

“Falei com os meus pais sobre minha decisão de não querer ir mais no basquete. No primeiro momento eles acharam meio louco. Foi muito difícil pra eu entrar no Franca. Eles ficaram receosos sobre a minha decisão", explica Elias. "Comecei a fazer aula, a treinar pra valer mesmo. Não era mais aquela brincadeira do começo. Nesse um ano, as coisas começaram a mudar. Antes estava sem oportunidade e sem visibilidade e hoje, graças a Deus, apenas coisas boas estão acontecendo na minha vida. Creio que é só a começo. Não sou ninguém ainda, mas estou buscando sempre melhorar”, afirmou o jovem.

Elias já conseguiu patrocínios, inclusive de uma empresa italiana, país onde o esporte é uma potência. Atualmente o jovem treina todos os dias e já disputou mais de 15 campeonatos no Brasil.

Eduardo Limonta, 36, representante comercial, é tio de Elias. Depois de ver o sobrinho jogar, decidiu “brincar” na areia e também não parou mais.

“Comecei a jogar beach tennis há um ano por brincadeira, apenas um divertimento com meu sobrinho e alguns amigos. Mas depois virou um vício, cada dia querendo jogar mais. Entrei em alguns torneios, fiz amigos maravilhosos, porque a turma do beach é fora do normal. Hoje jogo cinco vezes por semana e não largo mais”, contou Eduardo.

A nutricionista Tamara Gomes Machado Ghedini sempre foi aficcionada por esporte e depois do beach tennis explodir na cidade decidiu se aventurar. “Experimentei por curiosidade. É um esporte que você movimenta todo o corpo e tem um gasto muito alto de energia. Depois que comecei a praticar, incentivei minhas pacientes e elas também tomaram gosto pelo esporte. O beach é um esporte viciante que, além de trazer diversos benefícios para a saúde, também cria conexões", acredita.

Uma paciente da nutricionista virou sua parceira de quadra e é outra que não abandona mais o beach. “Eu adoro jogar. É um esporte muito fácil de começar, além de ter um grande gasto calórico”, disse Luciana Rodrigues Damasceno, dona de um estúdio de pilates.

Donos de quadras aproveitam a febre
Não é só para os praticantes do esporte que a febre do beach tennis tem sido positiva. Para os proprietários de quadras em Franca, o aumento foi significativo durante esse ano. Muitos fizeram investimentos significativos em seus estabelecimentos.

Aguimar Lacerda, o "Branco", tem um centro esportivo na avenida Jaime Telini. Num intervalo de apenas quatro meses, instalou três novas quadras de areia.

“O pessoal quer se divertir. Ficou muito tempo dentro de casa, né? O esporte é necessário, acho que o pessoal está tendo essa consciência. Eu não dependia das quadras, mas agora, com esse boom, virou meu trabalho. Aumentei agora, mas minha intenção é ampliar (mais) o espaço. As modalidades de areia em Franca cresceram muito", comemora.