09 de julho de 2026
FERIADO

Cemitérios recebem milhares de visitantes neste Dia dos Finados

Por Vinícius Nunes | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Dirceu Garcia/GCN
Família visitando o túmulo de entes queridos no Cemitério Santo Agostinho

Nesta terça-feira, 2, Dia dos Finados, milhares de pessoas foram até os cemitérios de Franca fazer uma visita aos familiares que morreram. No local, diversas flores, velas e outras homenagens eram colocadas em cima dos túmulos. Na portaria dos cemitérios, algumas pessoas distribuíam chocolates, botões de flores e orações para quem entrava no local.

Dentre os visitantes, a aposentada Helena Arcolino, de 78 anos, foi até o cemitério da Saudade prestar uma homenagem aos seus familiares. “Visitamos hoje meu esposo, pai, irmãos e primos. É uma coisa que vem de dentro, uma saudade. Sabemos que aqui são apenas os ossos, mas acreditamos na ressurreição eterna. Então, um dia a gente vem para rezar para eles com a intenção de estarmos todos juntos”, disse Helena.

Durante o ano de 2020, muitas pessoas não conseguiram fazer a visita na mesma data, então fizeram a homenagem de outra maneira. “Vim visitar minha avó. É um dia especial aos que já se foram, pessoas amadas que temos sempre que fazer essa visita. Ano passado não teve como vir, substituímos com uma oração em casa. As lembranças nunca somem, jamais serão esquecidas nossas pessoas amadas”, disse Michel Bosco, 41, motorista de caminhão, que fazia uma visita ao cemitério da Saudade.

Reflexo das consequências da pandemia da covid-19, a assistente administrativa Sueli Cândida, lamenta que perdeu muitos entes queridos devido à doença e foi prestar suas homenagens no cemitério Santo Agostinho. “Vim fazer uma visita aos meus familiares que partiram ano passado. A minha mãe, pai, avós, sobrinhos e tios. Alguns foram vítimas da covid e outros não. Viemos prestar nossas homenagens, todos os anos viemos, é uma tradição desde os nossos avós. Deixamos aqui flores e velas para homenagear e que possam descansar em paz”, desejou Sueli.

Infelizmente não foram todas as pessoas que puderam prestar uma homenagem tranquilamente, Maria Helena Quirino, de 68 anos, teve a placa de homenagem furtada nos túmulos de seus familiares no cemitério Santo Agostinho.

Ela disse que conversou com os funcionários do local que afirmaram que as placas foram furtadas há dias. “É um desrespeito, falta de amor, de respeito com Deus. É o mundo que estamos vivendo. A gente consegue rezar pelos que se foram, mas com muita tristeza, ficamos sem perspectiva com uma coisa dessas”, lamentou Maria.

Na mesma situação, Daniel Soarez, representante comercial de 50 anos, ficou sem palavras ao se deparar com o problema. “Viemos fazer uma visita aqui no Dia dos Finados para poder trazer uma lembrancinha no túmulo do meu pai. E então, infelizmente, tivemos a triste notícia que levaram todas as plaquinhas que tínhamos colado no túmulo dele. É até difícil de comentar alguma coisa, não sei o motivo das pessoas fazerem isso. Estou até sem palavras. É muito desrespeito, não tem nem o que falar”, disse Daniel, indignado com o furto.

Nas portarias dos cemitérios, diversos comerciantes vendiam vasos de flores, imagens religiosas, velas e porta-velas. Além disso, membros da Funerária Nova Franca distribuíam botões de flores, chocolates e ofereciam apresentações musicais no local.

“O Brasil, infelizmente, já alcançou mais de 600 mil óbitos por covid. Então decidimos fazer uma homenagem para Franca e para todos aqueles que não puderam se despedir dos seus entes queridos, para aqueles que ficaram sem velórios e sem uma despedida apropriada. Justamente por isso trazemos alguns músicos. No cemitério da Saudade há um violinista e aqui (cemitério Santo Agostinho) um saxofonista. Temos também algumas anjinhas distribuindo chocolates para os familiares. Então, estamos aqui fazendo essa campanha social para a população de Franca”, explicou Rafael de Melo Silveira, 30, diretor da Funerária Nova Franca que vem realizando a ação há cerca de 10 anos.