O Quarteto Enredado, grupo de música instrumental de Franca, foi convidado a tocar no Instrumental Sesc Brasil. O projeto reúne músicos novos e consagrados da música instrumental no Teatro Anchieta, na unidade do Sesc Consolação, em São Paulo. O grupo francano sobe ao palco às 19h, desta terça-feira, 2, com transmissão ao vivo no Youtube.
O grupo reúne Claryssa Pádua (no violão), Ronaldo Sabino (na viola caipira), Daniel Rached (na guitarra elétrica) e Gabriel Terra (no baixo acústico). A ideia do quarteto de cordas é misturar diferentes estilos musicais e instrumentos.
“A gente montou um grupo que mistura popular com erudito. Mistura guitarra, que está ligada com rock, com jazz. Mistura violão, que está ligado com erudito, com a música brasileira. Mistura viola, que é da música caipira. Mistura o baixo, que está ligado com orquestra, com jazz”, afirma o idealizador do quarteto, Gabriel Terra.
A história do grupo começa com um convite que Terra recebeu para tocar numa orquestra. Ressabiado, mas com a certeza de que receberia uma ajuda de custo para comprar um baixo acústico, o músico aceitou o desafio de aprender um novo instrumento e o convite para participar do projeto. Terra só não esperava o curto tempo de vida da orquestra.
"Fui num ensaio e toquei mal pra caramba, não sabia como tocava direito. No ensaio seguinte. acabou a orquestra. Aí falei, meu Deus o que faço com esse negócio? Paguei o baixo, mas fiquei sem tocar. Anos depois, vendo o baixo parado sem tocar, (disse que) precisaria aprender esse negócio. Vou montar um grupo para aprender a tocar esse instrumento”, conta.
Terra convidou os demais integrantes e o quarteto de cordas começou os trabalhos em novembro de 2019. Infelizmente, os planos foram afetados por conta da pandemia do coronavírus. “A gente tinha acabado de ser selecionado para tocar no Sesi, fazer o Território Cultural, que é muito difícil de conseguir – a gente foi o único grupo francano que foi selecionado. Iríamos fazer o Águas de Março, o Bolsa Cultura”, lamenta Claryssa.
Durante o período pandêmico, os músicos realizaram uma turnê virtual, participando em lives no Facebook e no Instagram. Presencialmente, tocaram num lar de idosos e numa casa de reabilitação para dependentes químicos, ambos em Franca.
Com o relaxamento das medidas de segurança, assim como o retorno gradual dos eventos, o grupo iniciou novos trabalhos. Ronaldo juntou o material do quarteto e enviou para uma produtora francana, visando conseguir apresentações em algum Sesc do Brasil. A esperada notícia chegou enquanto os músicos gravavam seu CD na capital paulista.
“A gente estava gravando, fazendo a captação do nosso CD - numa felicidade enorme, porque estávamos gravando em um dos maiores estúdios de São Paulo. Ela (produtora) ligou e falou que tinha uma proposta do Sesc Instrumental para nós, no dia 2 de novembro, e perguntou se tínhamos a data disponível. Ficamos incrédulos”, relembra Claryssa, entusiasmada.
O convite chegou após muito trabalho, mas pouca ajuda governamental. Claryssa disse que o grupo participa de projetos seletivos para conseguir fomentos municipais, estaduais ou federais. Ainda assim, não é certeza de sucesso. Os músicos não conseguiram apoio para o próximo ano. “Em um edital, tinha 1.500 projetos inscritos para 15 selecionados. Teve um que foram sete projetos selecionados para mais de mil inscritos”, exemplificou.
Claryssa lamenta a falta de incentivo cultural e questiona a postura de parcela da população em relação ao trabalho realizado pelo músico. “Acho que tem uma romantização, se é que se pode dizer assim de um músico, que é só ele pegar o instrumento que ele vai tocar. Acho que as pessoas não têm consciência, não têm noção de como é o trabalho.”
Mesmo com tantas dificuldades, um sonho será realizado nesta terça-feira ao subir no palco do Teatro Anchieta, com 30% do público total prestigiando o árduo trabalho do quarteto francano. O material que será apresentado homenageia as milhares de vidas perdidas em decorrência do coronavírus.
Os trabalhos realizados pelos músicos podem ser acompanhados em sua página do Facebook e Instagram, além do canal do grupo no Youtube.
Instrumental Sesc Brasil
O projeto existe nos palcos da unidade do Sesc Paulista desde a década de 1980, adaptada para TV em 1990. O Instrumental Sesc Brasil contabiliza mais de 700 shows assistidos presencialmente por mais de 200 mil pessoas. Atualmente, as apresentações acontecem semanalmente.
Nomes renomados como Ed Motta, João Donato, Moacir Santos, Toninho Horta, Hermeto Pascoal e Yamandu Costa já se apresentaram no Instrumental Sesc Brasil.