A ‘magrela’ virou a companheira ideal de muitas pessoas no período crítico da pandemia. O ciclismo amador, que era visto. de início, apenas como uma alternativa para a prática de atividade física sem gerar aglomeração, passou a fazer parte da vida de um grande número de pessoas em Franca. Mesmo com a flexibilização das medidas contra a doença e o avanço da vacinação, é comum grupos se reunirem pelo menos duas vezes por semana para pedalar, dentro da cidade ou nas vias que circundam Franca.
Gabriel Marangoni, 48 anos, advogado, faz trilhas usando uma mountain bike. “A prática esportiva ao ar livre é recomendada por médicos, além do que estar em contato com a natureza, podendo contemplá-la, é algo que nos traz muita energia, sem falar das amizades formadas entre aqueles que pedalam”, garante. “O crescimento deste esporte vem ocorrendo há vários anos, mas em função da pandemia as pessoas se viram trancafiadas em suas casas e com isso viram neste esporte ao ar livre a possibilidade de se libertarem sem que houvesse um risco significativo de contágio, por isso, a meu ver, tivemos um crescimento vertiginoso do número de ciclistas”.
Os modelos de bikes variam tanto quanto os preços. As mais utilizadas atualmente custam em média R$ 1.800, para passeio no asfalto, e R$ 2.800, especiais para trilhas. Mas há bicicletas de alta performance, com tecnologia de ponta, e cujos preços podem facilmaente alcançar de R$ 30 mil a R$ 75 mil.
O gerente de vendas Luís Carlos Becare da Rocha, 47 anos, disse que começou a praticar o esporte porque estava muito acima do peso, gostou e hoje leva a atividade a sério. Inclusive, no cuidado com sua bicicleta. “Não é um esporte barato para quem leva um pouco mais a sério e encara o ciclismo como treino. Para simplesmente pedalar pela cidade e parques não é tão caro, mas precisa de equipamentos básicos necessários”, disse. “Normalmente andamos em grupos para minimizar o risco de roubos. Em casa deixo dentro da residência para evitar furtos”.
Woshington Souza, 39 anos, professor no ensino médio, também é adepto dos passeios ciclísticos. Engajado, já percorreu o Caminho da Fé, de Franca a Aparecida do Norte, por três vezes. “Durante a pandemia, o pessoal passou a entender que é um esporte que trabalha também a cabeça, além da parte física. Muitas pessoas que passaram a praticar essa modalidade vão continuar, já que fizeram investimento em equipamentos, conheceram novas turmas, lugares bacanas, além do investimento na própria bicicleta”, disse o professor.
Woshington Souza prefere as trilhas perto da natureza
Fernando Franchini Garcia Andrade, 39 anos, aposentado, pratica ciclismo para combater uma doença grave (Espondilite Anquilosante), mas nem por isso deixa de ser competitivo. “As dores pioram em repouso. Preciso me movimentar e a bicicleta é o único movimento que consigo fazer. Sempre pedalo pelas rodovias que circundam Franca. A gente sofre com a falta de estrutura e com a ignorância de alguns motoristas que não respeitam os ciclistas”, reclama Fernando, conhecido como ‘Veio do Strava’. A bike que usa não é para principiantes. O modelo tem custo estimado de R$ 25 a R$ 30 mil.
Fernando Franchini Andrade usa o ciclismo para combater dores no corpo
O empresário do ramo de vendas de bicicletas Claudiomiro Veríssimo de Souza, confirma o boom de adeptos da modalidade na cidade. “Nesse período de pandemia, as vendas aumentaram até 30%, principalmente naquele período em que as academias estavam fechadas. As pessoas passaram a praticar passeios ciclísticos, aquecendo as vendas”, explicou. “As pessoas realmente adotaram esse esporte e há aquelas que investem em bikes mais caras. Uma bike de quadro de carbono, por exemplo, pode custar cerda de R$ 16 mil”.