08 de julho de 2026
imóveis

Mercado aquece e vendas disparam 161% em Franca

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Reprodução
Edifício Terraço D'Itália, na Cidade Nova: demanda reprimida e muitos lançamento levaram à disparada na venda de imóveis

A retomada de empregos que vem acontecendo em Franca, mesmo que a passos lentos, já começa a refletir em outras áreas da economia. Um levantamento realizado pelo Crecisp (Conselho Regional de Corretores de Imóveis do Estado de São Paulo) indicou um crescimento de 161% nas vendas de casas e apartamentos no mês de agosto. As locações de imóveis também tiveram alta de 29% no mesmo período.

Foram 1.364 corretores e 195 imobiliárias entrevistadas em cinco cidades da região: Franca, Igarapava, Ituverava, Restinga e Rifaina. O levantamento apontou que a procura por casas foi a mesma que por apartamentos. A área central é a mais procurada: 66,67% do total. O restante dos imóveis está igualmente dividido entre regiões nobres e periféricas.

O presidente do Crecisp, José Augusto Viana Neto, se surpreendeu com a posição de destaque que Franca obteve no levantamento. “Esse número de 161% é uma soma de dois fatores: julho ter sido uma frequência um pouco menor e agosto ter sido melhor. De modo geral, se pegarmos o consolidado dos últimos 12 meses, nós vamos ter um aumento de 9,7% nas vendas e 9% nas locações”, disse. “Franca está uma maravilha. Tem se destacado no cenário de São Paulo como um polo de muitos negócios imobiliários”.

Cerca de 45% do total das vendas equivalem a imóveis de até R$ 300 mil e mais da metade possuem no máximo dois dormitórios. Entre os interessados, as casas de até 100m² são as mais buscadas e representam 50% dos negócios. Em seguida, os apartamentos de até 50m², com 33,33% das vendas.

“Grande parte das transações se concentram em imóveis de até R$ 300 mil. A maioria, inclusive, de R$ 100 mil a R$ 200 mil. São imóveis pequenos para um público de classe média baixa. Isso significa operários, pessoas que estão entrando no mercado de trabalho, quem tem carteira assinada e está tendo acesso ao crédito imobiliário. Sendo assim, vemos a preferência por imóveis mais simples”, disse Viana.

Em comparação com cidades mais desenvolvidas, a região ainda se sobressai. O presidente do conselho acredita que a retomada da indústria tenha sido um facilitador para o resultado. “A região teve um total muito acima de cidades importantes como Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e litoral, que inclusive tiveram queda. Franca é uma cidade permeada de pequenas indústrias e prestadores de serviço, que é o grande negócio da sociedade e faz com que o dinheiro circule na cidade e a economia local fique aquecida”.

O que mais levou à expansão do mercado?
O consultor de marketing imobiliário Tarcis Costa, assim como Viana, destacou a classe média como principal público que procura os empreendimentos. "Pessoas que buscam sair do aluguel, que é um dos pontos que subiu muito nos últimos anos”, disse.

Tarcis afirma que a maioria tem preferido optar por um financiamento através do sistema bancário para viabilizar a moradia própria, sejam casas ou apartamentos. “Falo mais pelos meus clientes. Vendemos 100% das casas do São João Batista 2 e do Adelinha, que eram casas na faixa de uns R$ 200 mil. São pessoas que realmente estão querendo sair do aluguel”.

O empreendedor imobiliário e diretor da Alfa (Associação dos Loteadores e Empreendedores Imobiliários de Franca), Jorgito Donadelli, ressalta o perfil comprador da cidade como um diferencial. “Nós entendemos que Franca tem uma demanda reprimida muito grande. O mercado de Franca tem, historicamente, uma boa demanda. Quando você consegue aprovar um projeto ou fazer um lançamento, normalmente há uma fila de pessoas querendo comprar esses imóveis”.

Outro aspecto que fomentou o setor, para Donadelli, é uma garantia maior de investimento. “As pessoas acabaram se lançando no mercado imobiliário porque imóvel é um porto seguro. Parte desse aquecimento são desses investidores que tinham dinheiro e acharam melhor apostar em imóveis do que deixar o dinheiro rendendo quase nada, muitas vezes até com o rendimento negativo nos bancos”.

Daymisson Cipriano é corretor de imóveis e também sentiu nos últimos meses esse impulso no mercado. Para ele, o resultado positivo é a soma de um conjunto de fatores, entre eles um aumento do público investidor de imóveis e a baixa da taxa Selic, de 2% ao ano. “Isso fez com que os bancos entrassem forte no mercado imobiliário, gerando concorrência. Com isso, os juros do financiamento imobiliário atingiram baixas históricas no país”.

Além disso, o corretor destaca as necessidades que a pandemia trouxe às pessoas, especialmente as que foram submetidas ao trabalho home office. “As famílias ficaram mais tempo em casa. Muitos começaram a ver a necessidade de reforma, ampliação ou de adquirir um imóvel mais amplo”, falou Daymisson. “Outro fator foi a grande quantidade de lançamentos que as construtoras fizeram vendo essa grande demanda gerada pela baixa de juros. O mercado se enriqueceu com opções de empreendimentos, que atendiam famílias de vários tamanhos e poder aquisitivo”.

Apesar disso, o valor não foi um atrativo a mais para Gabriel Gomes dos Santos. O jovem de 21 anos trabalha com comunicação visual e buscava um apartamento para viver com sua mulher desde o ano passado, mas por conta de exigências do banco, não conseguiu. Foi em março deste ano que o casal fechou um negócio no bairro Palermo City, zona Oeste de Franca.

“Resolvemos aguardar o ano seguinte e compramos um apartamento Compramos mesmo porque era algo que queríamos muito, pois os valores estão muito elevados em relação ao ano passado. Por ser em uma região um pouco afastada achávamos que pagaríamos um pouco abaixo do valor, mas não foi nada disso”, contou Gabriel.

Para que pudessem arcar com a dívida de R$ 200 mil, o casal ainda teve que abrir mão do carro para conseguir o valor que faltava. “Mesmo assim corria o risco de não dar certo, pois hoje em dia não basta ter dinheiro, né? Além do dinheiro precisa ter uma série de requisitos, sem eles não adianta”.

Gabriel financiou o apartamento com o banco, assim como 53,33% dos compradores. Apenas 13% das vendas foram à vista, segundo o levantamento. Outros 33,33% negociaram diretamente com o proprietário – casos onde geralmente o financiamento é feito a curto prazo, como de 24 meses, por exemplo.