11 de julho de 2026
EFEITO PANDEMIA

'Estão pipocando os problemas de Saúde Mental. Está um quadro assustador'

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução
Fernando Palermo, discursando na Tribuna da Câmara Municipal de Franca

“Parece que estão pipocando os problemas de saúde mental.” Além dos mais de 43 mil casos confirmados de covid-19 e quase mil mortes em decorrência da doença em Franca, a pandemia do coronavírus afetou o emocional da população. Inúmeras pessoas desenvolveram ou agravaram problemas psicológicos, durante o período de restrições.

Reflexo deste momento, o Hospital Psiquiátrico "Allan Kardec" registrou uma “avalanche” de internações. “Agora nós estamos voltando a ter 90% de internação pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Ficou muito tempo com uma baixíssima ocupação e, agora, parece que estão pipocando os problemas de saúde mental – ansiedade, depressão, autoextermínio... Está um quadro assustador”, relatou o vice-presidente da Fundação "Allan Kardec", Fernando Palermo Faleiros, enquanto usava a tribuna da Câmara Municipal, durante reunião de comissões permanentes, no último dia 3.

As internações psiquiátricas pelo SUS são controladas pelo sistema Cross (Central de Regulação de Ofertas e Serviços de Saúde). São atendidas pessoas em crise, surto psicótico ou problemas relacionados ao álcool e drogas.

O percentual expressivo mostra a grandeza do problema que a saúde pública precisa enfrentar. Fernando explicou que diferentes causas provocam este desconforto emocional. “Consequência desta situação que estamos vivendo de ansiedade, falta de emprego, baixa renda... Isso tudo tem causado um desconforto muito grande na população.”

Desconforto que pode causar tendências suicidas. Para tratar deste assunto, o CFM (Conselho Federal de Medicina) realiza anualmente o Setembro Amarelo. A campanha busca desmistificar o tema, levar informações e ajuda a quem precisa, com o objetivo de salvar vidas. O país registrou 12.745 suicídios em 2020, apontam dados do Anuário Brasileiro de Segurança Pública.

Fernando afirma que não recebeu nenhum repasse do município para enfrentar esta epidemia silenciosa. “Nós conseguimos algumas verbas parlamentares em Brasília e São Paulo, mas vão ser insuficientes para que mantenhamos as contas equilibradas”, disse o vice-presidente, destacando a importância de os vereadores destinarem verbas as emendas impositivas para atendimento psicossocial na cidade.

Ele defendeu a união de autoridades e populares na lutar contra esta situação. “Então, gostaria de sensibilizar todo mundo para esta ação conjunta. É preciso olhar para a Saúde Mental também”, finalizou.