Desde que a Sabesp anunciou o racionamento de água em Franca, moradores se prepararam para enfrentar as 24 horas de torneiras secas. No entanto, diversos bairros da cidade tiveram uma falta d’água prolongada por mais de 36 horas e outros ainda sofrem com o problema desde a noite da última quinta-feira, 9. O gerente distrital da companhia, Alex Veronez, disse que o alto consumo nos últimos dias por conta das queimadas influenciaram no imprevisto.
Andres Hluchan mora no Jardim Consolação, que de acordo com a classificação dos blocos, ficaria sem água na sexta-feira, 10. Por lá, o racionamento já tinha começado às 22 horas do dia anterior e até o momento a água não foi religada. “Fui ao supermercado para comprar água potável. Ainda tenho o recurso de buscar em outro lugar, mas e quem não tem?”.
O morador disse que entende a situação da falta d’água, mas que o aviso prévio é o mínimo para que as pessoas se organizem. “Se for para faltar água uma semana, que seja, que avisem. A gente até entende, porque estamos em uma crise hídrica, mas sem falar nada é sacanagem... Eu que faço isso no meu trabalho para ver o que acontece”, disse Andres.
Antônio Verzola é morador do Parque dos Lima, na zona Sul da cidade. A situação no bairro é a mesma no Jardim Consolação: sem água e no dia errado. Verzola afirmou que está em busca de uma alternativa, já que sua caixa d’água é de 500 litros e não suporta a demanda de mais de um dia.
“Nos dois primeiros dias o racionamento funcionou certinho e nós entendemos que era necessário, mas agora parece que a Sabesp perdeu o rumo, porque já estão fazendo tudo errado. O dia de racionamento aqui no bairro era ontem e hoje já é quase de tarde e ainda não voltou”, disse Antônio.
Posição da Sabesp
Além desses locais, bairros como Cambuí, Jardim Francano e Vila Formosa também registraram atraso na volta da água. O gerente da Sabesp, Alex Veronez, admitiu que houve problemas pontuais no rodízio durante a manhã deste sábado, 11, mas que as equipes já estão nas ruas para resolver.
“Nos primeiros dias observamos uma economia muito grande, mas nos últimos dois dias, com as queimadas e foligens, aumentou muito o consumo e elevou a demanda do nosso sistema. Tivemos problemas pontuais de falta d’água em bairros que não estavam previstos para o racionamento e por isso apelamos de novo para que a população se conscientize no consumo”, falou.
Alex ainda registrou que apesar de não ter nada definido, as equipes da Sabesp já discutem internamente sobre aumentar o tempo sem água de 24 para 36 horas. Se confirmada, a mudança será anunciada previamente, assim como o provável prolongamento do rodízio caso não chova nos próximos dias.