11 de julho de 2026
EDUCAÇÃO

Retorno 100% presencial nas escolas estaduais ainda é incerto, diz secretário de Educação

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Instagram
Rossieli Soares em visita à região de Franca na última semana.

Enquanto as escolas municipais já têm data para o retorno 100% presencial dos alunos, a rede estadual ainda analisa a decisão. Em visita a Franca na última semana, o secretário de Educação do Estado, Rossieli Soares, afirmou que pelo atual cenário não é possível definir quando o retorno com todos os alunos pode acontecer, mas que planeja um esquema de obrigatoriedade presencial em dias determinados.

A expectativa é que até o dia 20 de agosto a Secretaria Estadual de Educação tenha uma definição. “Tive uma reunião com a comissão médica e os próprios médicos afirmaram que não dá ainda para tomar essa decisão. O retorno 100% dos alunos só pode acontecer sem a regra do distanciamento de um metro, e eu, sinceramente, não acho que isso vá acontecer até setembro”, falou Rossieli.

O secretário explicou que existe uma série de fatores que influenciam na questão da obrigatoriedade presencial e que isso não está necessariamente relacionado ao retorno de todos os alunos juntos. “Não acredito que vamos voltar todos os estudantes ao mesmo tempo. Há uma perspectiva de uma obrigatoriedade dentro de dias determinados. Ou seja, mantemos os protocolos sanitários, mas se a escola determinar que o aluno deve ir por uma semana completa, ele é obrigado a ir nesses dias”.

A ideia, se aplicada, tem como exceção os alunos com comorbidade que não tomaram ainda a 2ª dose da vacina contra a covid. Rossieli ainda afirmou que espera, o quanto antes, a vacinação em crianças e adolescentes para que o retorno aconteça de maneira segura.

Investimento nas escolas

Para receber os alunos, as escolas puderam contar com recursos do PDDE (Programa Dinheiro Direto na Escola Paulista), que teve início antes mesmo da pandemia. O objetivo do programa é prestar assistência financeira às escolas para promover melhorias de infraestrutura física e pedagógica. Somente na macrorregião de Franca, R$ 64 milhões foram destinados aos diretores desde o fim de 2019.

“Não tenho a menor dúvida que foi um dos maiores acertos que a gente teve até agora. Os grandes problemas é a Secretaria que tem que resolver, mas os básicos, do dia-a-dia, é preciso dar condições aos diretores, até para que a própria comunidade reconheça que a escola está bonita, tem qualidade e é atrativa para o aluno.”

Rossieli destacou problemas que são de fácil resolução, mas que muitas vezes eram persistentes nas escolas como, por exemplo, falta de papel higiênico. “Isso é uma questão tão simples, mas é tão importante, porque é uma questão de dignidade. Assim como a merenda. Quando a gente fala de ter uma merenda melhor, a gente está falando de ter algo melhor na escola para atrair o estudante e que ele permaneça na sala de aula. Tivemos a maior crise de evasão agora, então é preciso atrai-los e mostrar para a sociedade o quanto o PDDE mudou as escolas”.

Programa de Ensino Integral

A ampliação de escolas com o PEI (Programa de Ensino Integral) é uma das maiores apostas do secretário de Educação. O programa se baseia em dedicação exclusiva dos profissionais no desenvolvimento dos alunos em três pilares: autonomia, solidariedade e competência.

Segundo Rossieli, o Estado saltou de 364 escolas com o programa para 1.855 e que a adaptação das unidades vai começar ainda este ano para que em 2023 a maior parte delas esteja com o programa.

“O processo de virada de escolas com período integral para 2023 quero começar este ano ainda, porque eu tenho que preparar respostas para determinados tipos de escolas. A escola vai me dizer ‘eu quero virar período integral, mas preciso de duas salas’. Vou precisar de tempo para ter essa estrutura’", explicou o secretário.

A ampliação do programa é justamente para que a educação seja mais acessível e de qualidade nas escolas estaduais. “Não fui eu quem criou o modelo da PEI e isso para mim não é problema. O problema seria se eu ignorasse que tem um modelo que funciona, que no primeiro ano aumenta o rendimento e aprendizagem dos estudantes em 33% e não olhasse para esse modelo tentando aprender o que pode ser trazido para toda a rede. Vamos pegar um modelo que já existe e ampliar”.