08 de julho de 2026

Luiz Cruz de Oliveira:

Especial para o GCN
| Tempo de leitura: 1 min

O prefeito Maurício Sandoval Ribeiro inaugurava a escola Professora Nair Rocha. No palanque, ao lado de Maurício, várias autoridades, inclusive dirigentes do Sesi, vindos de São Paulo exclusivamente para o evento, discursavam. Em dado momento, chegou a minha vez. Na qualidade de ex-aluno, fui convidado pela família para dar testemunho sobre a mestra Nair Rocha.

Minha franqueza foi absoluta.

Depois de minha mãe, o primeiro amor de minha vida fora a dona Nair, por quem permaneci e permaneço apaixonado vida a fora.

Falei, desci do palanque. Ao pé da escadinha, recebi um abraço forte de Patrícia. Entre elogios, expressou lacrimosa:

Como gostaria de ouvir palavras assim, quando eu morrer.

Anos depois, encontramo-nos na Rua Marechal Deodoro.

Patrícia revelava, na voz e nos gestos, perplexidade e indignação.

Estou muito triste. Eu trabalho como todas as pessoas. Não faço mal para ninguém. Faço tudo para deixar as pessoas alegres e felizes. Eu não merecia isso.

Somente mais tarde compreendi as razões de sua tristeza.

Abobalhado, eu não consegui consolar a mulher, apenas ouvia. De repente, como se carente e só, abraçando-se a mim, tentava impedir que seus olhos marejassem.

Muitos anos se passaram.

Compareci ao lançamento de sua biografia, elaborada por Lúcia Brigagão. Diante de dezenas de pessoas elegantes e bem trajadas, a biografada abraçou o homem simples que a fora cumprimentar.

Os olhos da mulher lacrimejavam, injetados de alegria.

Fiquei também emocionado. E abracei-a.

A Patrícia morreu.

Poucas vezes falamos e, nunca, sobre sua profissão de colunista social.

Entrevistou-me várias vezes. Jamais me dirigiu perguntas sobre meus posicionamentos políticos.

A Patrícia morreu.

Franca perdeu sua maior colunista social.

A Patrícia morreu.

Eu perdi uma divulgadora não só de meus livros, mas dos autores francanos.

Perdi mais.

Perdi a presença de alguém capaz de chorar por dores não materiais.

Isso me é, de fato, perda considerável.