O prefeito Maurício Sandoval Ribeiro inaugurava a escola Professora Nair Rocha. No palanque, ao lado de Maurício, várias autoridades, inclusive dirigentes do Sesi, vindos de São Paulo exclusivamente para o evento, discursavam. Em dado momento, chegou a minha vez. Na qualidade de ex-aluno, fui convidado pela família para dar testemunho sobre a mestra Nair Rocha.
Minha franqueza foi absoluta.
Depois de minha mãe, o primeiro amor de minha vida fora a dona Nair, por quem permaneci e permaneço apaixonado vida a fora.
Falei, desci do palanque. Ao pé da escadinha, recebi um abraço forte de Patrícia. Entre elogios, expressou lacrimosa:
Como gostaria de ouvir palavras assim, quando eu morrer.
Anos depois, encontramo-nos na Rua Marechal Deodoro.
Patrícia revelava, na voz e nos gestos, perplexidade e indignação.
Estou muito triste. Eu trabalho como todas as pessoas. Não faço mal para ninguém. Faço tudo para deixar as pessoas alegres e felizes. Eu não merecia isso.
Somente mais tarde compreendi as razões de sua tristeza.
Abobalhado, eu não consegui consolar a mulher, apenas ouvia. De repente, como se carente e só, abraçando-se a mim, tentava impedir que seus olhos marejassem.
Muitos anos se passaram.
Compareci ao lançamento de sua biografia, elaborada por Lúcia Brigagão. Diante de dezenas de pessoas elegantes e bem trajadas, a biografada abraçou o homem simples que a fora cumprimentar.
Os olhos da mulher lacrimejavam, injetados de alegria.
Fiquei também emocionado. E abracei-a.
A Patrícia morreu.
Poucas vezes falamos e, nunca, sobre sua profissão de colunista social.
Entrevistou-me várias vezes. Jamais me dirigiu perguntas sobre meus posicionamentos políticos.
A Patrícia morreu.
Franca perdeu sua maior colunista social.
A Patrícia morreu.
Eu perdi uma divulgadora não só de meus livros, mas dos autores francanos.
Perdi mais.
Perdi a presença de alguém capaz de chorar por dores não materiais.
Isso me é, de fato, perda considerável.