O sistema de captação de água do afluente do rio Grande, localizado na divisa com Claraval (MG), que abastasse Franca com 85 milhões de litros de água diariamente, trabalha hoje com a metade de sua capacidade por conta do prolongado período de seca.
A captação no Canoas permite a retirada de 1.850 litros por segundo, mas atualmente a produção é de 950 litros por segundo. Para evitar a falta de água na cidade, o ‘velho Canoas’ ganhou o reforço de duas novas obras emergenciais de captação de água para suprir o déficit na sua vazão. Uma obra foi feita no próprio rio Canoas, próximo à estação existente; uma outra no rio Ribeirão dos Macacos, no Jardim Luiza, na saída para Ribeirão Corrente, com a reativação da antiga adutora.
O diretor distrital da Sabesp, Alex Veronez, admite que a situação é preocupante. “É uma crise assustadora, uma das maiores estiagens deste século. Há estudos que dizem ser a maior crise dos últimos 90 anos. Estamos vivendo uma crise severa como não tínhamos vivido ainda”.
Neste 2021, choveu 40% a menos em Franca do que a média histórica para o período, o que afeta muito os mananciais de onde vem a água que abastece a cidade. “O período de chuva que alimenta os rios é de outubro a março, sempre com média de 1.360 milímetros de água. Nesse ano choveu somente 824 milímetros, o que corresponde 40% a menos em relação ao mesmo período do ano passado”, explica Veronez.
A crise hídrica ameaça o abastecimento na cidade e um racionamento de água não está descartado já a partir da segunda quinzena de agosto. “A vazão hoje no rio Canoas correspondente à do mês de setembro, quando realmente (tradicionalmente) ocorre a queda. Estamos quase dois meses adiantados. Se for necessário um racionamento, vamos ver a disponibilidade de água no rio em relação à demanda e promover um rodízio, sem causar impacto à população”, acredita, otimista, o diretor da estatal.
Franca já poderia estar livre do risco de desabastecimento de água, mesmo considerando estiagens, caso a obra do novo sistema de captação no rio Sapucaí estivesse concluída. Anunciada em 2012, a obra chegou a ficar paralisada por alguns anos por conta de ações judiciais envolvendo as empreiteiras responsável pelos serviços.
A nova promessa de conclusão é para 2022. “Essa obra vai dar uma segurança para Franca muito grande porque, praticamente, vai dobrar a capacidade de abastecimento de água para Franca. Nos períodos de estiagem, o Sapucaí poderá trabalhar mais, já que tem maior vazão”, diz Veronez. A obra tem custo estimado em R$ 300 milhões.