08 de julho de 2026

Luiz Cruz de Oliveira

Por Crônicas, causos e criações | Especial para o GCN
| Tempo de leitura: 1 min

As crônicas de Roberto de Paula Barbosa chegaram-me espaçadamente, haja vista que me foram lidas à prestação – quatro ou cinco por dia.

            A leitura quebrada compromete o julgamento, todavia houve compensação. Era como se eu houvesse aberto uma caixa de chocolate e fosse saboreando gostosamente alguns pedacinhos todo dia, prolongando o prazer da degustação.

            Ao final das leituras, estou convencido de que o meu amigo Roberto ainda não é um Rubem Braga, mas sabe falar do cotidiano, passado e presente, de modo a tocar a alma da gente.

            Há três aspectos em suas crônicas que desejo ressaltar.

            O primeiro deles é que, muito raramente, o livro de estreia de um escritor figurará no mesmo pedestal alcançado por suas demais obras, mas nele é possível perceber o fôlego para a subida. É o que acontece neste caso.

            Em segundo lugar, em decorrência da primeira observação, destaco que o conjunto dos textos  revela já a existência de um estilo próprio   -  virtude imprescindível em quem se pretenda escritor.

            Em seguida, desperta-me a atenção uma característica presente na quase totalidade dos textos: um humor sadio que dá leveza às reflexões mais profundas e aos relatos mais sérios e dolorosos.

            Tudo isso revela a fotografia de um escritor iniciante, mas escritor de fato.

            Não foram, porém, essas virtudes que principalmente me sensibilizaram. O que mais mexeu com a minha emoção foram os retratos que o livro revela de nossa velha Franca: lugares, ruas, pessoas... e até meu Chico Franco – imagens que me umedeceram os olhos.

            Por tudo isso, cumprimento e abraço o companheiro de letras.