O ministro da Economia, Paulo Guedes, disse ontem que preferia uma "privatização clássica" da Eletrobras, com a venda pelo preço mais alto e uso dos recursos nas necessidades do País, mas que, diante das disputas políticas em torno da medida provisória que permitiu a concessão do controle da estatal com foco em geração e distribuição de energia à iniciativa privada, é "compreensível que isso não ocorra".
"Não vamos chorar muito pela Eletrobra porque a meta de liberalização de energia continua", disse, em evento da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) em que representantes do setor reclamaram que a aprovação do projeto pode aumentar o preço da energia.
Segundo o ministro, os "jabutis maiores" foram abatidos do projeto da Eletrobras e sobraram apenas alguns que vão "evaporar por serem menos eficientes". "Jabuti" é o termo utilizado para designar assuntos que são incluídos em projetos na tramitação no Congresso e não são relacionados ao tema central.
Com o aval do Congresso, o governo poderá dar prosseguimento aos preparativos para emissão de novas ações da empresa, prevista para o primeiro trimestre de 2022, por meio da qual a União vai reduzir sua fatia na companhia de cerca de 60% para 45%.
Enviada em 23 de fevereiro, a proposta é uma das prioridades do Executivo e aposta do governo para ampliar os investimentos na empresa, maior companhia de energia elétrica da América Latina. A Câmara já tinha aprovado a MP no dia 20 de maio, e o Senado, no dia 17 de junho. Como os senadores modificaram o texto aprovado pelos deputados, ele precisou voltar para uma nova análise da Câmara.