11 de julho de 2026
MERCADO AQUECIDO

Pandemia faz carros novos 'sumirem' das lojas e valoriza os usados

Por Pedro Baccelli | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Pedro Baccelli/GCN
Estacionamento de carros da Cristiano Automóveis

A pandemia da covid-19 e a redução na produção de carros novos nas montadoras, alterou a balança de compra e venda no mercado de automóveis. Cada vez menos veículos são encontrados nos estoques, aumentando o preço final aos consumidores. Mesmo assim, as concessionárias relatam aumento de até 30% na procura em relação ao ano passado, os primeiros meses do coronavírus na região. Agora, a maior dificuldade para quem vende continua sendo encontrar opções para os clientes.

A gerente comercial da Automec Franca, Emiliane de Souza Castro, ao analisar a venda de carros, disse que antes da pandemia (2019), eram vendidos 37 novos e 35 seminovos por mês. Atualmente, são 24 novos e 20 seminovos vendidos. Apesar da queda, diante do contexto da pandemia e em relação ao ano anterior, o mercado está aquecido. Em relação ao último ano, a procura por veículos na loja aumentou 30%.

Emiliane explica que a falta de carros novos no mercado impulsionou a compra de usados. “O (automóvel) zero quilômetro fica um pouco mais escasso, um pouco mais caro. E o cliente que tem a opção de trocar às vezes opta por trocar por um usado”.

O aumento na procura resulta em pátios vazios. De acordo com Emiliane, a loja trabalhava com 60 veículos 0km e 50 usados. Agora, são 5 novos e 12 usados. Com menos opções no mercado, os veículos sofreram um reajuste superior a 10%.

Para João Paulo Oliveira, vendedor da Cruzeiro Automóveis, quem tinha dinheiro guardado resolveu investir em alguns setores, inclusive automobilístico, impulsionando as vendas na cidade. “Como a taxa de poupança e investimentos está muito baixa, quem tinha algum dinheiro guardado resolveu colocar para girar. Trocar o carro, comprar um bom imóvel”, explicou.  

A dificuldade de adquirir carros é realidade para muitos estacionamentos e concessionárias. “A dificuldade nossa está em adquirir veículos. Está tendo a restrição do novo. Está tendo poucos para a entrega. Prazos muito longos. Mas a questão de procura e da venda continua normal”, disse.

Quem for retirar um carro novo pode esperar até 180 dias. João Paulo explica que a demora vem da linha de produção. “Não está tendo linha de produção, devido à pandemia. As fábricas param durante alguns períodos e atrasa a entrega do novo”, disse. 

Apesar das dificuldades enfrentadas na produção dos carros zero quilômetro, os números ainda são melhores que no último ano. De acordo com o Detran-SP, 1.761 veículos novos foram emplacados de janeiro até abril de 2021. No mesmo período do ano passado, 1.417 automóveis foram emplacados em Franca. Em 2019, foram 2.169.

Segundo Cristiano Giovani Lima, proprietário da Cristiano Automóveis, as vendas estão melhores que antes da pandemia. Em 2019, em média, eram vendidos 9 carros. O número subiu para 13. O estacionamento que já teve 20 carros no estoque, tem períodos que possui apenas 7. Os carros mais procurados são HB20, Strada, Cobalt e Onix.  

A lei da oferta e procura aumentou o preço dos automóveis, com valores acima da tabela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas). Cristiano aponta acréscimo de 20% nos veículos a diesel – Hilux, S10, Triton e Toro. 

De acordo com Álvaro Jacinto de Andrade, proprietário da D&A Automóveis, os carros que custam em média R$ 30 mil estão sendo vendidos R$ 3 mil acima da tabela. Um Onix 2015, que custava em média R$ 35 mil. Hoje está saindo por valores que vão de R$ 38 mil até R$ 39 mil. 

Os 15 dias de lockdown em Franca vão afetar diretamente o mercado de automóveis. Segundo Álvaro, ele espera uma queda de vendas próxima de 100% durante o período. “Mesmo que a gente faça os anúncios, conversa com o cliente e tudo mais. O pessoal não compra sem ver. Poucos fazem isso. A pessoa quer ver e experimentar o carro”, finalizou.