Aparecida do Carmo Pereira, de 56 anos, morreu na madrugada desse domingo, 23, após passar duas vezes por atendimento do Pronto-socorro “Álvaro Azzuz”. A mulher procurou a unidade pela primeira vez no dia 20 de maio, depois de apresentar falta de ar. Com a piora do quadro, retornou ao PS dois dias depois, onde foi diagnosticada com pneumonia e mandada de volta para casa. Horas mais tarde, Aparecida não resistiu e morreu na própria residência.
De acordo com o filho Ricardo Pereira, na primeira ida ao pronto-socorro, Aparecida realizou o exame de covid e esperou cerca de oito horas pelo atendimento. Mas, ao entrar no consultório para pegar a receita, a ficha da mãe tinha desaparecido e ela teria de passar pela triagem novamente. Por conta do cansaço, a mulher foi embora.
“No sábado, dia 22, minha mãe piorou e teve de retornar ao PS. O médico pediu um raio-x e constatou uma pneumonia. Ela foi medicada e liberada para casa, porque o resultado do teste de covid ainda não tinha saído”, disse Ricardo.
Apesar de ter sido liberada, Aparecida apresentava muita falta de ar no dia. “Minha mãe me mandou três áudios pedindo socorro. Eu mesmo não entendi nada do que ela falou. Ela estava custando respirar, com muita falta de ar.”
Durante a madrugada, a mulher, que era dona de um depósito de bebidas, morreu. O Samu foi acionado e constatou a morte por pneumonia, mas como a família não tinha o resultado do exame, a funerária realizou apenas o sepultamento, já que Aparecida era suspeita de covid.
Dois dias depois, Ricardo recebeu o resultado do exame da mãe, que estava negativa para a covid. “Ficamos indignados, não por questão da funerária enterrar por covid, isso também, mas faz parte do protocolo deles. O erro foi do pronto-socorro, porque ela chegou com sintomas, sumiram com a ficha dela, não medicaram e deixaram ‘a ver navios’. Ela estava há oito horas esperando para ser atendida, não tinha condições de passar pela triagem de novo”, disse o filho.
Ricardo relatou que Aparecida ainda tinha sido levada à UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Aeroporto, mas que não foi atendida como deveria. “Não quiseram tratar ela melhor. Eu acho que se na quinta-feira tivessem tratado ela melhor, ela estaria viva ainda.”
A Prefeitura de Franca afirmou que aguardava o relatório técnico do prontuário da paciente para mais informações, mas até o fechamento desta reportagem não houve retorno. Na última sexta-feira, 28, a Saúde confirmou que o ajudante de pedreiro Erivelto Gabriel passou pelo PS quatro vezes antes de morrer em casa, vítima de covid.