10 de julho de 2026
ENTREVISTA

'Não nos testem. Agora é hora de ficar em casa', diz Alexandre Ferreira sobre lockdown

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
N. Fradique/GCN
Alexandre Ferreira (MDB), em entrevista coletiva sobre lockdown

Após anunciar um lockdown na cidade por 15 dias, o prefeito Alexandre Ferreira (MDB) afirmou que a decisão pelo confinamento foi acertada depois que percebeu que as medidas já impostas não eram respeitadas pela população e que a saúde, colapsada, pesou mais do que a economia. Em entrevista à rádio Difusora nesta terça-feira, 25, o prefeito reforçou que essa nova restrição será intensa e que “estamos enfrentando um processo de guerra”.

Ao longo desses cinco meses à frente da Prefeitura, Alexandre tentou equilibrar o funcionamento de todos os setores, mas com a evolução dos casos de covid em Franca, a saúde precisou ser tratada com mais atenção. “De repente, a gente percebe que a saúde começou a ficar muito mais pesada do que a economia. Ontem, nós perdemos 17 francanos, fora outros tantos que precisam ser internados”, disse o prefeito. “A gente sabe e sente a dor das empresas, mas infelizmente agora é hora de ter responsabilidade, se não vamos perder cada vez mais pessoas.”

A expectativa do prefeito é que, ao fim dos 15 dias, o número de pessoas esperando por um leito na cidade seja inferior a 10. Além disso, nas tratativas com o Governo do Estado de São Paulo, foi sinalizada a abertura de novas vagas na região: de 5 a 8 leitos no AME de Franca, 16 a 23 no Hospital do Coração, 5 em Ipuã e outros 20 em Miguelópolis – ao menos 46 leitos, entre UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e enfermaria.

“O lockdown é uma medida extrema que, por si só, não erradica o vírus. Não significa que nós vamos acabar com a doença, não é isso. Vamos diminuir o número de casos, baixar o risco de contágio e diminuir o número de pacientes no pronto-socorro."

Alexandre Ferreira afirmou que a “chave” para decretar o lockdown foi quando percebeu que pessoas que precisavam de determinado tratamento médico não puderam ser atendidas porque contraíram a covid. “Soubemos de uma pessoa que fraturou o fêmur e quando chegou na sala de cirurgia, testou positivo para a covid. Só que ela precisava ficar em uma UTI que não é covid, porque nas unidades que são exclusivas para o vírus não é prestado o atendimento necessário. Assim, ia contaminar todo o processo de segurança dos hospitais que atendem causas gerais.”

Outra questão que pesou na decisão do prefeito foi a quantidade de grávidas que foram submetidas a cirurgia de emergência para salvar o bebê, porque estavam com complicações da covid. “Quando a gente começou a vislumbrar a necessidade de ter que fazer cesárea forçadamente antes do tempo, para tentar salvar a vida da criança e da mãe, isso significou um caos para nós.” O desrespeito às regras, principalmente no último domingo, 23, na avenida Champagnat, também foi crucial para a decisão.

De acordo com o decreto publicado na edição do Diário Oficial desta terça-feira, poderão funcionar apenas mercados, padarias, açougues, restaurantes, lanchonetes, petshops, casas agropecuárias e farmácias. Todos com portas fechadas e entregas apenas via delivery e até as 20 horas. Postos de gasolina e serviços de saúde apenas de emergência também estão autorizados.

“Eu preferi fazer o inverso e colocar só o que pode. Tudo o que não estiver na lista está proibido”, disse Alexandre. A cidade vai contar com a fiscalização da Vigilância Sanitária, reforço de servidores que se dispuseram a auxiliar nas operações e apoio da Polícia Militar e Procon. “Não nos testem. Agora é hora de ficar em casa”, alertou o prefeito.