Minutos depois do prefeito de Franca Alexandre Ferreira (MDB) anunciar o lockdown na cidade a partir da próxima quinta-feira, 27, partidos políticos, sindicatos de diversas áreas, além de entidades do município emitiram o “Manifesto pela vida e contra a Covid-19”. O documento declara apoio à medida, além de recomendar medidas durante e depois do período restritivo.
O manifesto destaca o número de mortes, a ocupação dos leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e a taxa de transmissão da covid-19 que são assustadores nos últimos dias. “Apoiamos integralmente o novo decreto anunciado pelo Prefeito Alexandre Ferreira, que estabelece o lockdown em Franca a partir da próxima quinta-feira. Uma medida corajosa, mas muito importante neste momento crítico, sendo a única alternativa eficaz disponível no curto prazo”, diz trecho do documento.
Para as 15 entidades que assinaram o manifesto, há algumas “diretrizes claras” a serem seguidas por Alexandre, como testagem em massa passa que seja feito um rastreio de novos casos. É sugerido também normas no pós-lockdown para o retorno de atividades como escolas, indústria, comércio e principalmente ao transporte público coletivo.
Há medidas sugeridas polêmicas, como a suspensão dos cortes de água e energia por 80 dias e a ampliação do Renda Franca por mais três meses.
O documento ainda alerta para medidas semelhantes as feitas em Manaus, quanto a remoção de pacientes para outras regiões, através do Ministério da Saúde. Outra sugestão é a criação de um centro municipal de doação de alimentos, para que as entidades e a população em geral possam direcionar ao município o que têm arrecadado e assim garantir que todas as famílias cadastradas possam ter suas necessidades de alimentação atendidas.
O manifesto foi assinado por:
PT, PDT, PSOL e PCB; Sindicato dos Frentistas e Lavadores de Franca e região; Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de calçados do município de Franca; Sindicato dos trabalhadores nas indústrias de calçados e vestuário de Franca e região; Associação dos Trabalhadores de Franca (ATRAF); Sindicato dos Metalúrgicos de Franca e região; SEEAC Franca; CNLB (Conselho Nacional do Laicato do Brasil) Diocese de Franca; APEOESP - Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo; Associação dos Servidores do Judiciário do Estado de São Paulo; Associação Coletivo da Cultura "Laerte de Paula Freitas"; Instituto Práxis de Educação e Cultura, Sindicato dos Trabalhadores(as) Domésticos de Franca e Unidade Classista - Comitê de Franca e região.
Confira o documento na íntegra:
Manifesto pela vida e contra a Covid-19 em Franca/SP.
Nós, dos Partidos Políticos, movimentos e entidades abaixo-assinadas, vimos manifestar publicamente a nossa preocupação com o grave momento que Franca vem enfrentando, um dos piores de toda a pandemia. Vivemos um recrudescimento assustador do número de casos notificados de adoecimento pela COVID-19 e já ultrapassamos o patamar de 590 mortes, com uma média móvel de 6 pessoas mortas por dia na última semana.
Hoje, os serviços de saúde de Franca estão em colapso. 100% das unidades de UTI e 89,2% das UTIs não-SUS estão ocupadas. As pessoas estão recebendo oxigênio sentadas em cadeiras nos corredores dos hospitais e morrendo na fila de espera. A taxa de transmissão da cidade é a segunda maior do Estado de São Paulo, sendo de 1,44 para cada infectado.
Por isso, juntamos nossas vozes às daqueles que conclamam autoridades, profissionais, formadores de opinião e cada cidadão e cidadã da nossa cidade a assumir o compromisso com a construção de uma resposta efetiva e solidária para superarmos este triste cenário.
Sabemos que a tarefa é complexa e exigirá esforços, mas já temos clareza de alguns caminhos que a Prefeitura Municipal de Franca deve seguir:
1) apoiamos integralmente o novo decreto anunciado pelo Prefeito Alexandre Ferreira, que estabelece o lockdown em Franca à partir da próxima quinta-feira, dia 27/05, com duração até o dia 10/06. Uma medida corajosa, mas muito importante neste momento crítico, sendo a única alternativa eficaz disponível no curto prazo. Mas entendemos que ainda são necessárias outras medidas complementares, como:
2) implementação de estratégias de testagem em massa, para permitir o rastreamento e isolamento de novos casos, bem como de quem teve contato com os infectados, conforme determina a lei municipal 9018/21;
3) emissão de normas técnicas para os diversos espaços de interação, após o término do período de lockdown (escolas, indústrias, comércio, entre outros) visando diminuir o risco ambiental de transmissão, cuidando especialmente do transporte público para garantir que não se repita a aglomeração atual;
4) realização de uma estratégia de comunicação social e educativa capaz de promover uma cultura de prevenção que oriente e estimule as pessoas ao uso de máscara, higiene das mãos e a evitar aglomerações, envolvendo as lideranças dos bairros e comunidades, garantindo que as informações cheguem a todos os locais, utilizando, inclusive, propaganda volante com esta finalidade específica;
5) realização de medidas de combate às notícias falsas, desinformação e más práticas de prevenção e tratamento;
6) aceleração significativa do programa de vacinação, visto que outros municípios já estão mais adiantados;
7) elaboração de um plano de remoção de pacientes para outras regiões do estado e do país, acionando o Ministério da Saúde, para que possa agir como fez nos casos do Amazonas e de Rondônia;
8) elaboração de uma Política de Vigilância Epidemiológica, com a formação de um comitê científico, constituído por vários especialistas de faculdades e hospitais públicos e privados da cidade, para enfrentamento da Covid-19, com foco na prevenção e no monitoramento dos casos através de um painel de dados, capaz de informar as curvas de infecção e respectiva tipificação das cepas, localização geográfica, perfil da população infectada, atividade econômica, etc., a fim de subsidiar os atores envolvidos direta e indiretamente no combate e controle da doença no município;
9) criação de um grupo de trabalho para apresentar propostas de protocolos que visem o total controle epidemiológico da covid-19 mesmo após a vacinação em massa da população, como meio de garantir o pleno funcionamento das atividades econômica e social, considerando que, mesmo com a vacinação da população, não haverá o fim da circulação do vírus. Tal medida deve ser tomada de forma simultânea às ações de atenção aos infectados em estado grave, bem como de outras medidas com vistas à redução da contaminação e circulação do vírus da covid-19, como por exemplo o incentivo ao distanciamento social;
10) criação de um centro municipal de doação de alimentos, para que as entidades e a população em geral possam direcionar ao município o que têm arrecadado e assim garantir que todas as famílias cadastradas possam ter suas necessidades de alimentação atendidas, evitando o recebimento em duplicidade por uns em detrimento de outros que acabam por não serem atendidos;
11) ampliação do Programa Renda Franca por mais 3 meses;
12) criação de uma logística de entrega das cestas básicas, atendendo as necessidades das famílias que não têm como se locomover para fazer a retirada, visto que muitas são geridas por mães solo, que possuem crianças de colo e moram distantes dos polos de entrega;
13) articulação com o governo do Estado, Sabesp e CPFL para que possam suspender os cortes de água e energia por 80 dias;
14) criação de uma Frente de Trabalho para atuar no controle e fiscalização da COVID-19 no município, por meio de contratos de trabalho temporário;
15) Proteção dos Fiscais, solicitando o apoio da polícia militar junto às equipes para que possam fazer o trabalho preventivo e ostensivo quando necessário; Como se vê, há a necessidade de um firme compromisso ético e político para que essas medidas sejam postas em operação e para que consigamos construir o futuro de progresso e bem-estar, com justiça social e liberdade, que buscamos para nossa população.