“Multas, advertências e interdições acontecem desde o início da pandemia, mas agora intensificamos as interdições porque estamos em um colapso.” Esse é um trecho da entrevista com Mariela Toscano, a nova chefe da Vigilância Sanitária à rádio Difusora. Nesta quinta-feira, 20, passou a valer as novas medidas restritivas impostas pelo município e Mariela reforçou que as operações de fiscalização continuarão intensas.
À frente de uma das principais divisões da Prefeitura neste momento de pandemia, Mariela encara a nova fase como um grande desafio. “Eu tenho certeza de que pouquíssimos médicos ou outros profissionais de saúde encarariam um momento como esse. Nunca vivemos nada como a pandemia de covid”, disse.
A veterinária é de Franca, mas morava havia cerca de dez anos em Araçatuba, onde se formou. Ela contou que já planejava voltar para a cidade de origem para ficar mais perto da família, e assim, encaminhou currículo para a Secretaria de Saúde. “Eu tive sorte de ter meu currículo avaliado pelo Fernando Baldochi (assessor especial do prefeito) e ele permitiu que a gente marcasse uma entrevista. Até então, não havia vaga, mas como nós tivemos exonerações dentro da Vigilância, precisava de alguém que tivesse disponibilidade, que viesse com um olhar neutro em toda as situações e eu aceitei.”
Apesar da experiência em outras áreas da Vigilância, a chefe afirmou que a Vigilância Sanitária em si é um desafio. “Tenho uma equipe maravilhosa, que está me dando todo o apoio necessário. Confesso que a técnica eu posso adquirir, teoricamente, mas o operacional, o dia a dia, eu só pego vivendo.”
Trabalho de fiscalização
Mesmo com menos de duas semanas no cargo, Mariela já sabe identificar o perfil de algumas pessoas de Franca que insistem em desrespeitar as regras, o que dificulta o trabalho da fiscalização. “Tem uma parcela da população que adere e respeita as restrições, mas infelizmente, nós temos um percentual que não entende a nossa situação. Nós não estamos lá com o intuito de prejudicar o comerciante, de que ele vá à falência. Nosso intuito é proteger a saúde da nossa população.” Mariela ressaltou que nem sempre a abordagem é fácil para os fiscais, mas que evitam sempre o embate.
Neste momento ainda mais crítico da pandemia, o que muda nas fiscalizações é o nível de penalidade. São duas equipes de agentes no fim de semana e uma durante os dias da semana, que, segundo Mariela, têm autonomia para decidir qual penalidade vão utilizar, dependendo do comportamento e desobediência dos estabelecimentos ou organizadores de eventos.
“São 25, 30 denúncias de festas por fim de semana. Bares, campos de futebol e muitos outros lugares... Então, confesso que não é nada fácil. Nós atuamos conforme as denúncias vão surgindo no Covizap e da quantidade de denúncias em um só ambiente. Em casos assim, nós priorizamos o local para fiscalizar. Esse é o fluxo operacional que estabelecemos.”
Mariela disse também que se reuniria na Secretaria de Saúde nesta quinta-feira para discutir sobre a contratação emergencial de novos agentes. Segundo a Vigilância, quando novas medidas de restrições são impostas, o trabalho dos fiscais chega a triplicar e, por isso, um reforço é importante. Nas fiscalizações, nenhum estabelecimento será poupado se for pego em flagrante desrespeitando as regras, inclusive, igrejas e cultos religiosos, com auto de infração de interdição imediato.