Recém-chegado à NBA (National Basketball Association), liga de basquete dos Estados Unidos, considerada a mais forte de todas no cenário mundial, o ala Didi Louzada, cria do Franca Basquete, falou sobre o seu momento, em entrevista coletiva realizada nesta quarta-feira, 19.
Nos seus três primeiros jogos com o New Orleans Pelicans, que aconteceram depois de dois anos atuando na Austrália, o atleta de 21 anos conseguiu bons números e foi elogiado pelo treinador da equipe, Stan Van Gundy.
Somando todas as partidas, em 57 minutos dentro de quadra, ele marcou 8 pontos – dentre eles, duas bolas de três certeiras contra o Golden State Warriors, de Stephen Curry -, conseguiu três assistências, três rebotes e duas roubadas de bola.
Antes de tudo acontecer, ainda do outro lado do mundo, na Oceania, viver tudo isso parecia apenas um sonho para Didi. “Foi chocante quando fui contatado pelo Pelicans. Eu nem sabia que estava para vir jogar na NBA. Fiquei sabendo que eles iriam me trazer de volta nos últimos jogos pelo Sydney Kings. Quando me disseram, foi bem marcante. Fiquei muito feliz.”
Ao comentar sobre suas primeiras partidas, Didi afirma estar incrédulo por ter chegado onde chegou. “A ficha ainda nem caiu. Acho que vai demorar um pouco para assimilar tudo. Sempre foi o meu grande sonho estar aqui.”
Logo em sua estreia, diante do Dallas Mavericks, o ala teve a dura missão de marcar uma das sensações da liga, o esloveno Luka Don?i?. “Eu estava bem animado e nervoso. Quando entrei, deu aquele friozinho na barriga. Ainda mais porque, logo de cara, o treinador falou ‘vai lá e pega o Luka Don?i?’. Fiquei muito honrado e acho que consegui incomodá-lo dentro da quadra. Marcar um dos melhores jogadores da liga, para mim, não tem preço.”
Didi marca Luka Don?i? em sua primeira partida na NBA
Nesta temporada, apesar do esforço, o Pelicans acabou ficando de fora da zona de classificação aos playoffs e do play-in (repescagem) da NBA. Para Didi, isso vai funcionar como carga de motivação para a próxima edição da liga. “O sentimento de não termos conseguido a classificação é bem ruim, porque temos time para chegar mais longe. Mas, o nosso elenco é bem jovem e acho que estamos no caminho certo. Espero ganhar rotação e ajudar a equipe na próxima temporada.”
Futura dupla?
O jovem jogador contou como tem sido a sua experiência com seus companheiros de time, dentre eles, Zion Williamson, principal jogador do Pelicans na temporada. “Tem sido um contato bom. No começo, não consegui treinar e assistir aos treinos por conta do visto de trabalho, mas tem sido bacana. A relação com o Zion é boa. Ele é um cara quieto, na dele, bem tranquilão, mas se você chegar e conversar, ele vai conversar. É muito promissor e fez uma grande temporada. Eu espero fazer uma boa dupla com ele.”
Diferenças entre Brasil, Austrália e Estados Unidos
Depois de ter vivenciado o basquete de três países diferentes - o Brasil, a Austrália e, agora, os Estados Unidos, Didi comentou quais diferenças mais sentiu entre as características de cada uma das ligas.
“Sempre tem alguma coisa diferente. No Brasil, a tática era de um jogo mais fechado. Na Austrália, era tão fechado e tático quanto, mas era mais rápido. Agora, aqui na NBA, o que mais senti foi a velocidade. O jogo é muito mais veloz do que em qualquer outro lugar. Fora isso, é uma disputa mais espaçosa. Você precisa ficar muito atento. Em questão de segundos, pode perder a oportunidade de ajudar o time em alguma jogada ofensiva ou defensiva”, disse.
Ala brasileiro em ação pelos Pelicans, na NBA
Seleção Brasileira
O capixaba está entre os 25 pré-selecionados para a disputa do pré-olímpico, que acontece entre os dias 29 de junho e 4 de julho, em Split, na Croácia. Essa lista será reduzida a 16 atletas. A poucos passos de representar o Brasil, Didi está ansioso e muito orgulhoso.
“Bom, comecei a jogar pela Seleção Brasileira em 2014, quando fomos campeões do Sul-Americano sub-15, contra a Argentina. Desde então, venho em uma crescente. Pude aprimorar meu jogo em Franca e continuei sendo convocado. Vestir essa camisa e representar o meu país é um sonho. Feliz por ser convocado”, afirma.
Fascínio pela NBA
Colocado em uma “sinuca de bico” durante a coletiva, Didi foi questionado sobre o que preferiria entre ser campeão olímpico ou da NBA. Depois de hesitar bastante, ele respondeu. “É uma pergunta muito difícil, mas sempre sonhei em ter um anel de campeão da NBA. Vamos ver o que a vida vai me proporcionar. Seja com um ou com o outro, estarei muito contente.”
Conselho aos mais jovens
Louzada ainda deixou um conselho para os jogadores que sonham ter sucesso em qualquer ramo do esporte. “Se pudesse passar uma mensagem, diria para que treinem ao máximo. Nunca tirem dias ‘off’, porque, lá na frente, com certeza, o esforço de vocês vai ser recompensado.”
Cidade de Nova Orleans
Nascido em Cachoeiro de Itapemirim, no interior do Espírito Santo, e com passagens por Franca e Sydney, na Austrália, Didi agora procura se acostumar com a vida na vibrante cidade de Nova Orleans, na Louisiana.
“Ainda nem consegui conhecer a cidade. Quando cheguei, já comecei a treinar direto. Dos treinos, fui para as viagens para jogos. Não tive tempo de explorar Nova Orleans, mas espero fazer isso em breve”, finalizou.