Há cerca de um ano e dois meses, no dia 27 de março de 2020, Franca registrava o primeiro caso positivo de covid-19. Desde então, inúmeros setores foram afetados. Na educação não foi diferente. O cancelamento das aulas presenciais, aliado ao ensino remoto, podem ter atrasado em dez anos a educação mundial, como acredita a secretária de Educação, Márcia Gatti.
Na visão da educadora, dez anos é um cenário otimista. No Brasil, o prazo pode ser ainda maior. “Vamos demorar dez anos para retirar esse retrocesso que houve nesse período na educação (mundial). Isso sendo otimista. Se pensarmos em Brasil, já tem pesquisas dizendo que vamos cair 30 pontos no Pisa (Programa Internacional de Avaliação de Estudantes)”.
A exemplo do restante do país, o município busca minimizar os impactos e correr atrás do prejuízo. Um dos problemas enfrentados é a frequência nas aulas. De acordo com a secretária, até o mês de abril, mais de 17 mil alunos estavam matriculados na rede municipal. Destes, 16.583 alunos fizeram contato com a escola. Sem contato foram 420.
“Se pensarmos nas cabecinhas dos meninos, são muitas cabecinhas. 420 pessoas que a escola não conseguiu nenhum tipo de contato. Se pensarmos em porcentagem, foi uma porcentagem baixa. Mas, qualquer um faz falta”, explicou.
Embora o número de alunos que participam seja expressivo, a presença é medida através das atividades realizadas ao invés da quantidade de aulas frequentadas, como acontece no ensino presencial. Com isso, percebe-se diferentes tipos de estudantes, entre eles, aqueles que não mantiveram contato diário ou que realizaram apenas algumas das atividades propostas. “Tem para todos os gostos. Tem aquela criança que fica uma semana e de repente faz todas as atividades correndo e entrega. Tem o que se esforça junto ao pai”, exemplificou.
“Cadê os alunos?”
Um orientador busca contato com a família dos alunos que não frequentam as aulas. Faz telefonema, manda mensagem de texto e também por WhatsApp. Não conseguiu. Busca informações atualizadas com os vizinhos, a partir do endereço cadastrado na matrícula do aluno. Contato realizado, são colhidas informações sobre as condições que a criança está vivendo.
Caso a comunicação não seja estabelecido, a Secretaria busca informações atualizadas com a Pastoral do Menor, creches e UBSs (Unidade Básica de Saúde) para perguntar se houve algum tipo de incidente, se teve entrada na rede pública de saúde, por exemplo.
Parcerias são feitas com as APMs (Associação de Pais e Mestres), conselho de escola e grêmio estudantil para fazer uma força tarefa para tentar trazer esse menino de volta. Em último caso, uma carta registrada é enviada ao endereço cadastrado.
Retomada das aulas presenciais
Gatti prevê um retorno gradual das aulas presenciais para o final do mês de maio. As escolas funcionarão de acordo com sua capacidade de atendimento e seguindo os protocolos de segurança. A Secretaria de Educação vai estar presente no primeiro dia das instituições.
Ainda assim, a secretária não descarta um fechamento após o retorno, caso necessário. “Abrimos, (no) final de maio, começamos a retornar. Se a gente precisar fechar, vamos fechar a escola de novo. Isso não significa fracasso. Significa que o protocolo de segurança está dando certo. Porque deu para a gente monitorar, perceber e acudir”, afirmou.
Recuperação do conteúdo perdido
Segundo Márcia Gatti, os alunos vão chegar com níveis diferentes de conhecimento. Serão realizados agrupamentos produtivos com os alunos. “Vamos receber alunos com saberes muito distantes uns dos outros. Alguns se esforçaram mais. Alguns tinham mais meios de realizar as atividades, outros menos. Então temos que reagrupar esses meninos. Partir de onde eles pararam, para que todos passam avançar”.
“Se a gente retornar, colocar todo mundo na sala de aula, primeiro, segundo, terceiro, quarto e quinto e dar aula no atacado, se a gente não diversificar o trabalho e esses grupos por nível de desempenho, a gente não dá conta”, finalizou.