11 de julho de 2026
BOM DE BOLA

Habilidoso e focado, garoto francano de 11 anos é promessa do futebol brasileiro

Por Victor Linjardi | da Redação
| Tempo de leitura: 6 min
Arquivo Pessoal
Felipe Andrade atuando com a camisa do Cruzeiro, seu atual clube

Dedicação e talento. Estas duas palavras podem muito bem definir o Felipe Morales Resende de Andrade. Com apenas 11 de idade, já brilhou em diversos campos com seu futebol. Hoje está em um dos mais tradicionais clubes do país, o Cruzeiro (MG). Sua habilidade e determinação também chamaram a atenção da Nike, uma das maiores empresas de materiais esportivos do mundo. Como se não bastasse, o jovem atleta também é agenciado pela JC12, empresa do ex-goleiro da seleção brasileira, Júlio César.


Felipe em seu 1º jogo oficial na escolinha do Valência

Apesar de tão novo, Felipe já acumula cinco anos de carreira. Começou aos 6 anos de idade em um projeto social da escolinha do Valência, em Franca. No mesmo ano, em 2016, passou pela Bom de Bola e pela escolinha CPP (Centro do Professorado Paulista). Também no seu primeiro ano de treinamentos, Felipe participou de seu primeiro teste em um clube de grande porte. De cara, foi aprovado no Cruzeiro, equipe de Belo Horizonte. Mas havia um problema: novo demais, faltava uma categoria na qual pudesse ser encaixado. O garoto seguiu então sendo observado e manteve os treinamentos em Franca mesmo.

A mãe, Luana Milene Morales de Andrade, 39, analista de sistemas, lembra que o futebol sempre foi uma paixão do garoto. “Tudo começou na decoração do quarto dele, tema de futebol! O brinquedo que sempre gostou foi a bola, a conversa é sempre futebol. Desde pequeno, sabe tudo dos times, campeonatos, jogadores e claro, das chuteiras”.

Luana diz que como Felipe sempre demonstrou talento natural, a família resolveu investir. “Víamos a habilidade e começamos a incentivar e participar deste sonho e dessa jornada. Cuidamos de cada detalhe. Da alimentação exclusiva aos treinos, descanso e principalmente no amor e no incentivo”.

Seu pai, Renato Resende de Andrade, 43, controller, admite que sempre foi apaixonado por futebol e que a "herança" foi passada ao filho, mas faz questão de deixar claro que a vontade de entrar neste “mundo” partiu do garoto. “Como sempre estou assistindo jogos, ele passou a gostar e imitar os jogadores. Eu sempre fui apaixonado por futebol, mas não tive esse sonho (de ser profissional)  

 



Felipe Andrade comemorando um dos muitos títulos pelo RB Sports

Em 2017, com 7 anos, Andrade fez parte do elenco sub-11 do Internacional de Franca. No mesmo ano passou a treinar com o Rose’n Boys e se tornou um “papa-títulos”. Ganhou todos os campeonatos que disputou em sua categoria. O treinador que acompanhou a trajetória de Felipe no RB Sports foi Luizinho. “Me lembro quando estava vendo o treino de cima e percebi que (Felipe) era bom de bola. A impressão que dava é que ele parecia mais velho perto dos outros”, explica. “É muito focado e já abdica de várias coisas (pela vontade se tornar jogador). Não tem nem 12 anos e já vive uma vida de atleta profissional mesmo. É visível que ele tem um objetivo”.

Foi em 2018 que seu potencial voltou a chamar atenção de mais clubes de ponta. Felipe disputou a Danicup – um dos principais torneios para sua idade – e foi campeão defendendo a camisa do Juventude Society, uma escolinha de futebol de BH. A habilidade em jogar com as duas pernas e seu controle de bola fizeram com que alguns olheiros o convidasse para fazer avaliação em equipes como Corinthians (SP), Fluminense (RJ) e Santos (SP). O meio-campista foi aprovado em todos, com exceção do Corinthians.


O jovem atleta enquanto atuou pelo Fluminense (RJ)

Ainda monitorado pelo Cruzeiro, o jovem atleta poderia escolher entre alguns clubes para atuar em 2019. Tinha então 9 anos. O escolhido foi o time fluminense, onde foi vice-campeão carioca pelo tricolor. Foi em Xerém – bairro onde fica sediado o clube do Rio de Janeiro -, que veio a primeira dificuldade: adaptação. Longe da cidade natal e, principalmente da mãe, Felipe e seu pai sentiram a mudança e optaram por encerrar a trajetória em solos fluminenses. “Foi uma experiência muito positiva, principalmente pelo seu amadurecimento. Mas ficar longe da mãe foi um grande desafio para ele”, relatou Renato.

No mesmo ano, o maior e mais inesperado feito do pequeno até então. Convidado a prestar a “peneira” da Lazio, tradicional clube de Roma, capital italiana, acabou aprovado. Mas a decisão naquele momento foi de cautela, como conta o pai. “No princípio fiquei desconfiado com uma oportunidade tão grande. Mas ao descobrir que era verdade, fomos até a Itália para ele fazer o teste e foi aprovado. Mas naquele momento, uma mudança dessas era impossível”.


Peneira realizada no time da Lazio, em Roma

Em 2020, mais um passo na carreira, Felipe Andrade, junto de seus pais, precisava definir um novo destino. O escolhido foi um dos primeiros clubes que notou seu bom futebol: o Cruzeiro. Desde então, o meio-campista faz parte do elenco sub-13 da equipe mineira. A família se mudou para BH, mas logo veio a pandemia e o atleta teve pouco tempo de treino presencial, pois até hoje as atividades são feitas de forma remota.


O garoto em um dos poucos treinos presenciais pelo Cruzeiro (MG)

Renato diz que, mesmo à distância, o filho foi promovido para uma categoria acima de sua idade. “Temos muito carinho pelo Cruzeiro. Mesmo com pouco tempo de treino presencial, ele mostrou foco e determinação e foi agraciado com a promoção de subir de categoria. Hoje ele integra a equipe que jogadores nascidos em 2008, enquanto ele é de 2009”.

No Cruzeiro, Felipe é muito querido pela comissão técnica. Felipe Furtado, coordenador das categorias de base do clube, descreveu um pouco as qualidades que fazem do garoto francano um destaque. “Sua maior virtude é a qualidade no passe. Ele toma sempre decisões rápidas e de forma correta. Na faixa central do campo, faz o jogo fluir jogando com as duas pernas muito bem. É um jogador muito técnico e comprometido. Ele se dá muito bem com os companheiros e com toda comissão técnica. É um menino 10”.


Renato, Felipe e Luana no momento de assinar o contrato com a Nike

Patrocínio
A “cereja do bolo” ainda estava por vir. Neste ano, Felipe recebeu proposta para ser patrocinado por duas das maiores empresas de equipamentos esportivos do mundo. Tanto a Nike quanto a Adidas procuraram o jovem talento para vestir suas marcas. Orgulhoso, o pai, Renato, comemora. “Duas grandes marcas procurarem pelo Felipe é um grande feito. Normalmente essas empresas são muito criteriosas e escolhem quem realmente se destaca e tem potencial para ser um grande jogador”. Depois de analisarem as propostas, Felipe acabou se decidindo pela Nike.

Hoje, Felipe concilia os estudos à distância numa escola de Belo Horizonte com seus treinamentos na sua casa no Parque Castelo, em Franca, na ânsia de voltar a atuar nos gramados da capital mineira e poder estrear seus materiais esportivos novos. Será mais um passo importante rumo ao sonho de se tornar um protagonista no mundo do futebol profissional. Talento e disposição não faltam. Nem torcida.