Rosário tinha no nome e na vida o hábito de reverenciar a Virgem Maria, não com devocionismo, mas com seu comportamento, suas atitudes e palavras que eram condizentes ao seu sugestivo nome. Sempre foi uma moça trabalhadora, sorridente e atenciosa. De uma beleza natural, cativava a todos e os tratava com igualdade. A face plena e tranquila expressava o seu interior. Foi por isto que não estranhou quando o jovem viúvo, com quatro filhos pequenos, foi pedir ao seu pai sua mão em casamento. Ela o vira só uma vez, por ocasião do falecimento da esposa e, agora, percebia que era um belo homem! Vizinho, trabalhador, sorriso meigo e fala mansa. Após um tempo, ela aceitou casar-se com ele e criar os pequenos órfãos. Ela dedicou-se à nova família com gosto e alegria e como tinha muito amor parar dar, foi mãe de mais cinco, todos considerados irmãos e filhos deles. Nunca se ouviu um só lamento ou revolta ou qualquer outra expressão de sentimento negativo. Era bom ficar junto a ela! Conhecida por sua abnegação, recebia em sua casa parentes e amigos viajantes, necessitados de um leito ou de uma refeição substanciosa.
Lembrei-me de Rosário em oposição aos pais, padrastos e madrastas de hoje que estão se esmerando em maltratar e matar crianças inocentes, com tamanha crueldade que fazem as madrastas dos contos de fada parecerem menos maléficas e menos maldosas. Crianças indefesas, chorando de medo e desespero, sem conseguir verbalizar dores e angústias, sendo ameaçadas e agredidas por adultos impiedosos e sem compaixão humana.
O homem pode ir ao extremo do bem ou do mal. Mas o mal está ganhando força ao encontrar mentes desordenadas, insanas, suscetíveis a uma influência negativa de vícios e do meio social em que habitam. Perderam a identidade de seres humanos! Deixar uma criança sem água, alimento, torturar física e emocionalmente até matar, não são pessoas que têm vida humana, mas irracionalidade. Como disse Machado de Assis sobre o Natal, o que mudou? O que mudou da história verdadeira de Rosário para estas histórias tenebrosas de nossos dias?