09 de julho de 2026
CIRCO DRAG

Festival Brilhe: um circo online para divertir e valorizar a diversidade

Por Denise Silva | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Derruci Fotografias
Apresentação do Festival Brilhe

A pandemia do coronavírus e o isolamento social, feito para diminuir a propagação da covid-19, forçou os artistas a se reinventarem. Lives e debates online são soluções que muitos encontraram para manter o contato com o público. Mas criar um espetáculo online é a menor inovação do Brilhe, o I Festival Internacional de Circo Drag: um festival circense com malabaristas, equilibristas e ilusionistas, mas com um detalhe importante - praticamente, todos, drag queens (ou kings).

Desde o dia 17 de abril e até o próximo domingo, dia 25, é possível assistir ao festival pelo Youtube. São várias apresentações, oficinas, palestras e mesas de discussões em uma programação extensa, que em muitos dias começa às 9h e segue até as 22h.

Para os mais conservadores, assistir aos vídeos pode ser desafiante. Atento às pessoas com deficiência, o festival começa sempre com uma audiodescrição, quando os apresentadores descrevem em detalhes onde estão, as cores das roupas que vestem, perucas, fundos e etc. Os artistas também fazem questão de usar palavras gênero neutro. Ou seja, todas ou todos se tornam todes; “sejam muito bem vindos” dá lugar a “sejam muito bem vindes” e assim por diante.

A ideia do festival saiu da cabeça de uma francana, Daniela Peixoto de Barros. Atleta, modelo, contabilista, artista circense e, claro, drag king. Hoje, Daniela se identifica como uma pessoa não binária, sem gênero definido, e se apresenta no festival com o personagem drag Allan King.

Conheça a história dessa francana que estudou ciências contábeis no Uni-Facef, estudou circo no Instituto Arte e Vida, rodou as maiores cidades do mundo como modelo de grandes agências, chegou a estampar ambalagens de tintura para cabelo e hoje se dedica às artes circenses. Clique aqui.

Carlos de Barros Sugawara, 43, trabalha na produção geral do festival e explica que o objetivo principal do projeto é “dar visibilidade a duas comunidades marginalizadas, a drag e a circence”. Carlos estudou música e artes cênicas da Unesp, já morou no Canadá e em Glasgow. Hoje vive na capital, é parecerista cultural, curador e gestor na Secretaria de Cultura da cidade de Louveira, na grande São Paulo.

“Conheci a Dani via internet e presencialmente em 2016, quando trabalhava em Florianópolis e ela fazia o curso profissionalizante. Construímos muitos projetos em conjunto, de espetáculos e oficinas", conta ele que também é companheiro de Dani, não se apresenta como drag, mas participa de muitos projetos em que Dani se torna Allan King, um dos personagens que apresentam e participam do festival.

“Estamos tentando fazer uma reparação histórica", diz Carlos ao lembrar que, na história das artes, apresentações teatrais eram inicialmente feitas apenas por homens, já que mulheres não eram permitidas em teatros. Por isso, eram os homens que faziam papéis femininos.

Além disso, o festival foi uma solução encontrada para garantir renda a artistas que interromperam suas atividades por conta das restrições impostas pelas medidas que têm como objetivo diminuir a propagação da covid-19. No festival, os artistas puderam se inscrever e os selecionados enviaram vídeos das suas apresentações e receberam uma bolsa por isso.“Precisamos levar cultura, arte à população e, ainda, com pessoas que precisam de espaço, de dinheiro e que são talentosas”, concluiu, dizendo que o festival Brilhe tem sido uma experiência gratificante.

Outro francano que participa do festival é Willian Assis, a Nega do Bafão. Ficará sob responsabilidade dela comandar a cerimônia que encerra o festival. “Para mim o festival conseguiu englobar todos os cenários da diversidade. E o objetivo principal é levar alegria. Tirar as pessoas desse momento de dor e conectar com a esperança de dias melhores. Vamos acreditar.”

O evento BRILHE é resultado do projeto FestivArte DRAG e CIRCO, da Cia Circo Soul, idealizado e produzido por Allan King e Lyra D’Lírio.