09 de julho de 2026
ADESÃO

436 pessoas deixam de tomar a 2ª dose da vacina em Franca

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Heloísa Taveira/GCN
Vacinação da 2ª dose para os idosos, no Internacional

De acordo com os dados da Secretaria de Saúde, pelo menos 436 idosos com mais de 70 anos não retornaram para tomar a 2ª dose da vacina contra a covid-19 em Franca. Isso representa 1,78% do público e, apesar de ser um número relativamente baixo, especialistas ressaltam que isso pode comprometer a imunidade e ser uma porta de entrada para novas mutações do vírus.

Entre os motivos, estão idosos que não sabem onde buscar a dose reforço, se esqueceram ou até mesmo não deram importância. No entanto, os estudos divulgados até o momento garantem a imunidade em casos graves apenas com as duas aplicações da vacina. O médico da Vigilância Epidemiológica, Homero Rosa, afirma que esse intervalo estabelecido entre as duas doses é para otimizar a maior produção de anticorpos.

“Se você recebe só uma dose da vacina, você não vai atingir a eficácia máxima que ela pode proporcionar. Você pode ter tanto uma menor resposta de defesa, quanto diminuir a quantidade de tempo que essa vacina te protegeria. Como é uma vacina nova e não existe nenhum estudo a longo prazo, por questões óbvias, não temos essa perspectiva de entender os motivos exatos, mas o prejuízo acontece na própria proteção e na proteção coletiva”, disse o médico.

Homero explicou que o ideal é garantir o imunizante na data estabelecida, mas se não for possível, que a pessoa procure pela 2ª dose o quanto antes. “É necessário que todo mundo que não recebeu a 2ª dose, seja por qualquer motivo, receba o mais rápido possível. Quem tomou uma dose apenas, essa pessoa tem alguma carga de resposta. O nível de anticorpos é bem melhor do que quem não tomou nada, mas não é o suficiente.”

Esse é um histórico epidemiológico que Franca presencia há anos em qualquer campanha de vacinação que precise de doses extras. Rosa acompanhou muitas dessas campanhas e testemunha que esse é um problema municipal e até nacional. “Temos exemplos clássicos de pessoas que dão muita importância à 1ª dose e menosprezam ou esquecem da 2ª. A vacina de HPV é claramente isso. A vacina contra o câncer de colo de útero e outros cânceres, ela tem uma adesão razoável na 1ª dose, cai demais na 2ª dose e quando tem 3ª dose, a adesão é menor ainda. Precisa melhorar bastante essa adesão às vacinas no nosso país.”

Além dos problemas individuais, a vacinação parcial da população pode comprometer o coletivo. Ainda que uma grande parte do público esteja imunizado com a 1ª dose, isso não é suficiente para impedir a circulação do vírus e, consequentemente, aumenta as chances de mutações. No país, cerca de 1,5 milhões de brasileiros não retornaram para a 2ª dose e o Estado que lidera a listagem é São Paulo, com mais de 270 mil pessoas sem o reforço da vacina.