09 de julho de 2026
DENÚNCIA

Duas UBSs são acusadas de preparar seringas com vacina longe da visão dos idosos

Por Lucas Faleiros | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Dirceu Garcia/GCN
Enfermeiros da UBS negam que reclamação proceda

Uma internauta que acompanha a live do Portal GCN fez, nessa segunda-feira, 19, uma reclamação a respeito da vacinação na UBS do Guanabara. Segundo a idosa, que afirma ter ido tomar a segunda dose da vacina contra o coronavírus na unidade durante o horário de almoço na mesma segunda-feira, a seringa que seria aplicada nela já estava preenchida com o medicamento antes de sua chegada, o que não é o procedimento visto normalmente nos postos de vacinação e teria sido feito para agilizar o processo.

Durante a manhã desta terça-feira, 20, a reportagem do GCN esteve na UBS do Guanabara e coversou com os enfermeiros encarregados da imunização. Mesmo sem poder gravar entrevista, os responsáveis negaram que as seringas sejam preenchidas antes do momento da aplicação e disseram que a conduta não seria adotada “de maneira alguma”, já que poderia até “prejudicar a eficácia das doses”.

Enquanto o caso citado era noticiado no programa A Hora é Essa!, da rádio Difusora, surgiram mais reclamações com teor parecido. Ouvinte da programação, Célio Horácio conta que foi se vacinar na UBS do Jardim Aeroporto na última sexta-feira, 16, e viveu situação parecida.

“Fui tomar a segunda dose e era o primeiro da fila. Fui o primeiro a ser vacinado. Quando eu entrei no cômodo onde eles aplicam as doses, a enfermeira tirou a seringa de dentro de uma caixa de isopor, já junto de um outro punhado. A chefe dela até disse que podia aplicar. A seringa já estava preparada. Eu não vi ela colocar o remédio lá dentro. E não era só uma. Tinham várias prontas”, contou.

Depois de sair da unidade de saúde, vários questionamentos passaram a rondar o pensamento de Célio. “E se eles me aplicaram as sobras do dia anterior? Eu acho que pode ser isso, porque nem o número do lote eles preencheram na ficha, o que, quando tomei a primeira dose, foi feito. Agora, eu fico preocupado. Estou em uma dúvida enorme”. A incerteza dele permanece até hoje.

Diretora do departamento de Atenção Básica de Franca, Leziane Vilela recebeu a denúncia com estranheza e disse que ela será apurada. “Não é o procedimento padrão. Nós aplicamos mais de 60 mil doses aqui em Franca e as reclamações foram mínimas. Os enfermeiros passam por um processo de capacitação e recebem diversas instruções. Com certeza vamos investigar se isso realmente aconteceu. Se houve algum equívoco ou não”.

Segundo Leziane, os enfermeiros envolvidos com a vacinação receberam um POP (Procedimento Operacional Padrão) e devem seguir suas regras. Dentre as obrigatoriedades, está mostrar o conteúdo da seringa para o vacinado antes e depois da aplicação.

“O procedimento tem de ser transparente e seguro. Dentre as especificações da imunização da Covid-19, nós chamamos atenção para alguns tópicos. O primeiro deles: aspiração da dose precisa ser feita na frente do usuário, permitindo a visualização da seringa. Ao final da vacinação, os enfermeiros têm que mostrar para o vacinado o recipiente vazio. Isso é para a segurança do paciente e para a transparência do processo”.