09 de julho de 2026
LUTO NA REALEZA

Philip, marido da rainha e militar que ajudou a modernizar a monarquia

Por Mariana Hallal | do Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 3 min
Hannah McKay/AP/Estadão Conteúdo
Príncipe Philip, da Grã-Bretanha, em sua função de Capitão Geral dos Fuzileiros Navais Reais durante um desfile no pátio do Palácio de Buckingham, no centro de Londres.

O príncipe Philip, marido da rainha Elizabeth II, morreu ontem aos 99 anos. O anúncio da morte do militar que ajudou a modernizar a monarquia britânica foi o retrato de um personagem histórico com um pé em cada século. Pela manhã, enquanto uma folha de papel com o comunicado oficial era afixada nos portões do Palácio de Buckingham, como manda a tradição, a mesma mensagem era publicada no Twitter.

"É com profunda tristeza que Sua Majestade a rainha anuncia a morte de seu amado marido, Sua Alteza Real o príncipe Philip, duque de Edimburgo", dizia o aviso colocado por duas funcionárias do palácio, vestidas de preto e com o rosto coberto por máscaras. "Philip morreu em paz esta manhã no Castelo de Windsor."

Philip havia sido hospitalizado em fevereiro e se recuperava de uma infecção e de uma cirurgia cardíaca, no início de março. Nascido na ilha de Corfu, na Grécia, desempenhou papel fundamental em conduzir ao século 21 uma monarquia cheia de vícios do século 19.

Embora nunca tenha recebido oficialmente o título de "príncipe consorte", Philip viveu uma vida dedicada aos deveres reais. Após o casamento, renunciou a sua promissora carreira naval e aceitou o papel de coadjuvante, que exigia dele andar sempre dois passos atrás de Elizabeth.

Biógrafos o descreveram como um homem dedicado à rainha, com quem permaneceu casado por 74 anos, mas que nunca se livrou de sua personalidade de macho alfa. Nos bastidores do palácio, expressava frustração por ter de desistir de sua carreira depois que Elizabeth foi coroada.

Quando se conheceram, Elizabeth tinha 13 anos. Philip, 18. Na época, ele era visto como um jovem carismático, uma lufada de ar fresco para a monarquia. Com o tempo, passou a ser o conselheiro que dava respostas honestas, diretas e fazia Elizabeth rir das formalidades palacianas.

Seu desempenho na linha de frente da coroa britânica, no entanto, foi cercado de gafes. Alguns comentários eram pouco polidos, como em uma visita à Tailândia, em 1991. "Seu país é um dos centros mais notórios do tráfico de espécies ameaçadas", disse o príncipe, após aceitar um prêmio ambiental. Ou quando esteve nas Ilhas Cayman, em 1994. "Vocês não são todos descendentes de piratas?" Na Austrália, em 2002, ele deixou um líder aborígine chocado. "Vocês ainda jogam lanças uns nos outros?"

A rainha, publicamente uma esfinge, nunca deu pistas de como reagia aos comentários do marido em privado. Funcionários do palácio e biógrafos da realeza, porém, garantem que Elizabeth era fã do humor de Philip. "A tolerância pode não ser tão importante quando as coisas vão bem", disse o príncipe, em discurso, em 1997. "Mas ela é vital quando as coisas vão mal. E você pode acreditar, a rainha tem tolerância em abundância."

Horas depois do anúncio da morte de Philip, alguns britânicos enfrentaram o frio e depositaram flores diante do Palácio de Buckingham. Em razão da pandemia, porém, o comparecimento foi discreto. Os hotéis de Londres estão fechados e ninguém pode passar uma noite fora de casa sem um bom motivo.

Alguns moradores de Londres, que estiveram no palácio, disseram admirar o trabalho de Philip. Outros foram apenas registrar o momento. Wandy Keelen saiu de casa para prestar sua última homenagem. Fã da monarquia, não foi a primeira vez que ela chorou a morte de um membro da família real. Há 24 anos, Wandy esperou horas na fila para prestar condolências pela morte de Lady Di.

Fay e Lauren Knight, mãe e filha, também foram se despedir de Philip. "Admiro o que ele fez pelo país. Ele esteve ao lado da rainha e era leal", disse Lauren. "A família real é a história do nosso país." Gus Wiseman também levou flores. Para ele, o príncipe era uma "inspiração". "Um grande homem. Ele tinha uma carreira militar e sacrificou tudo para ficar ao lado da rainha", afirmou.

Os brasileiros Anna Luiza Martins e Rimonny Neves foram ao palácio para registrar um "momento histórico". "A gente veio prestar uma homenagem", disse Anna Luiza. "Não é a morte de qualquer um. E é interessante ver o respeito que os britânicos têm com a realeza", afirmou Rimonny.