Na tarde desta quarta-feira, 7, um hacker invadiu os sistemas do Portal GCN e tirou o site do ar. No lugar da página principal, onde estão as principais notícias do momento, era exibida a foto de um rapaz, ainda não identificado. Abaixo, três frases, entre elas um ataque ao governador e ao isolamento social. “Tamo junto, abaixo ao isolamento, João Doria é um ditador (sic).” As equipes de tecnologia trabalharam para restabelecer o portal, o que aconteceu cerca de duas horas depois. A polícia será comunicada formalmente para as providências cabíveis.
O portal GCN fica hospedado nos servidores do Google, nos Estados Unidos, e conta com equipes de tecnologia que dão suporte 24 horas por dia. Tentativas de invasão são frequentes, mas acabam repelidas pelas barreiras de proteção. Hoje, o hacker, que se identifica como “Tak3”, disparou um milhão de acessos simultâneos ao GCN até conseguir quebrar as barreiras de proteção. “Maior portal de notícias de Franca e região hackeado”, comemorou Tak3.
Ainda não é possível assegurar o que motivou o ataque, mas as matérias que retratam o drama das vítimas da pandemia do coronavírus, o acompanhamento da tragédia que tem marcado as vidas de centenas de francanos e de moradores da região e a tragédia sem precedentes que se abate sobre milhares de brasileiros dão um bom indicativo das motivações para a invasão.
“Há muitos meses temos sido alvo da violência de negacionistas, gente que não dá importância para a quantidade absurda de mortes e doentes e gostariam que publicássemos uma realidade que não existe. Querem que defendamos medicamentos ineficazes, sustentam que os fatos e os números que trazemos não correspondem à realidade. São lunáticos, delirantes, mas perigosos”, disse o diretor responsável do portal, Corrêa Neves Jr.
As lives que apresenta todas as noites foram alvo de ataques nos últimos meses. O jornalista também foi vítima de ataques organizados a partir de um grupo de ódio baseado no Facebook intitulado “A Tropa em Shock”. Faixas com ofensas e xingamentos a Corrêa Neves Jr. foram espalhadas pela cidade. A Polícia Civil abriu inquérito e investiga o caso.
Além do tom político, o hacker ainda trata tudo como uma brincadeira. Além da foto debochada, ainda manda um “salve” para outras pessoas, provavelmente, também hackers. “Salve para: bky992, sanninja, rauspreto, d3coder, k4sh, aj4x, xtdin (sic)”, escreveu.
Dependendo da forma de acesso, via smartphones, por exemplo, em vez da tela preta com a foto do hacker aparecia uma tela branca com a letra “a” ou a letra “b” no canto superior esquerdo.
No Dia do Jornalista, comemorado neste 7 de abril, o ataque foi visto pela equipe de reportagem como uma ação que reforça ainda mais a importância da imprensa. “Jornalismo sério não foi feito para agradar. Trabalhamos diariamente pra retratar com seriedade a realidade que vivemos, seja ela boa ou dura, como tem sido. Mesmo sob ataque, o jornalismo nunca vai se curvar”, disse o editor Luciano Tortaro.
Todas as providências policiais e jurídicas estão sendo tomadas para que os autores sejam devidamente identificados e responsabilizados.