11 de julho de 2026
EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA

Mesmo depois de um ano, alunos ainda relatam dificuldade no ensino remoto

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Heloísa Taveira/GCN
A exaustão da tela do computador, dificuldade de concentração e dúvidas sobre o conteúdo são marcantes no ensino remoto

A educação foi claramente uma área muito afetada pela pandemia. Mesmo com alternativas, como o ensino remoto, os alunos e professores enfrentaram muita dificuldade para se adaptarem à nova realidade – já que o ensino híbrido veio para ficar. Tanto no convívio social, como na aprendizagem, os estudantes relatam os desafios de conciliar a tecnologia aos estudos.

As escolas estaduais chegaram a realizar as atividades de forma presencial por cerca de pouco mais de um mês, com 35% dos alunos. Com o avanço da pandemia, foi antecipado o recesso escolar e, logo após, os estudantes tiveram de voltar com as aulas remotas por até, pelo menos, o dia 11 de abril.

Na rede estadual, as atividades se dividem entre teleaulas gravadas, ao vivo, trabalhos e apresentações. Ana Laura Tonin, de 17 anos, está no terceiro ano e se preparando para o vestibular. Ela contou que, mesmo sendo escalada para estudar presencialmente no período em que as escolas retomaram, optou por ficar em casa e segue no modelo on-line até hoje.

“O ensino remoto foi um desafio muito grande no começo e com o tempo acabei me adaptando, mas infelizmente prejudicou a aprendizagem. Alguns professores não dão aulas on-line, passam atividades e, como complemento, as aulas do CMSP (Centro de Mídias de São Paulo). Apesar das teleaulas, sinto muitas vezes que precisava de uma explicação mais específica”, disse a estudante.

Assim como milhares de jovens que estão concluindo o ensino médio, Ana Laura se preocupa com o vestibular. “Como estou no terceiro, é muito conteúdo para revisar. Temos que conciliar escola e estudos pré-vestibulares, então acaba prejudicando. Apesar disso, eu tenho condições de ver as aulas e realizar as atividades através de um computador, mas as pessoas mais prejudicadas foram aquelas que não têm condições financeiras para arcar com essas tecnologias e dependiam do ensino presencial.”

Isadora Pires, de 17 anos, também conclui o ensino médio no fim deste ano e relata os mesmos desafios. “Eu particularmente tenho mais dificuldade para aprender nesse formato de aula. Acho que muitos alunos têm mais facilidade quando estamos cara a cara com o professor. Em casa, é muito mais fácil se distrair. Qualquer notificação que chegar pode tirar nossa concentração”, disse Isadora.

As dificuldades ultrapassam o ensino fundamental, médio e são percebidos também no superior. Ana Laura Fernandes, de 22 anos, está no último ano de psicologia e um grande impasse é a junção de tarefas em um mesmo ambiente. “A maior dificuldade do on-line é você conciliar a sua vida pessoal com a acadêmica, porque quando você está em casa, consequentemente, você tem que exercer outras tarefas. Conciliar as duas coisas é um pouco difícil”, relatou Ana.

Além disso, o modelo é exaustivo. “A gente não fica concentrado. A tela do computador cansa muito e a rotina de estudar em casa acaba atrapalhando, porque precisa de muito foco e não são todos os dias que estamos dispostos e animados para aquele modelo.”