11 de julho de 2026
SEM NOÇÃO

Festas clandestinas são desafio na fase mais crítica da pandemia em Franca

Por Lucas Faleiros | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução/Redes Sociais
Filmagem de festa divulgada nas redes sociais. Data marcada nas câmeras de segurança é do último domingo, 21.
Em um cenário de pandemia descontrolada, onde um vírus extremamente contagioso, que causa uma doença com potencial de matar e ainda sem tratamentos eficazes paira pelo ar, a única alternativa para evitar uma contaminação em massa é seguir, tanto quanto possível, uma série de protocolos sanitários e diminuir ao máximo a proximidade física entre as pessoas. O protocolo, apresentado aos brasileiros por cientistas e médicos no início de 2020, continua o mesmo em todo o país um ano depois.
 
Um dos comportamentos que foi preciso abandonar são as festas. Nelas – sejam comemorações simples, casamentos, bailes ou baladas - as pessoas não conseguem, por motivos óbvios, se proteger de um micro-organismo transmitido pelo ar como é o coronavírus. Não são poucos os francanos, entretanto, que ignoram a gravidade da situação e até hoje, mais de um ano após o início da pandemia, se recusam a deixar para trás as festanças.
 
Durante os quase treze meses de surto, foram registrados diversos eventos clandestinos em Franca – isso, fora os que aconteceram com total sigilo. Alguns, as chamadas "resenhas", são mais reservados – o que não diminui o nível de irresponsabilidade dos participantes. Outros já extrapolam quaisquer limites do razoável e chegam a reunir milhares de pessoas.
 
Foi o caso de uma festa registrada no dia 27 de setembro de 2020. Em uma chácara localizada às margens da rodovia João Traficante, mais de 2 mil pessoas, em sua maioria jovens, estavam reunidas em uma espécie de baile com muita bebida alcoólica e música. Quando o encontro foi interrompido por fiscais da Vigilância Sanitária e policiais militares, os participantes decidiram voltar a pé para a cidade, o que gerou desconforto e receio para quem dirigia pela rodovia durante a madrugada. Àquela época, Franca contabilizava 5.806 diagnósticos positivos e 128 mortos por covid-19.


Evento com 2 mil pessoas no final do ano passado

Caio Carvalho, diretor da Vigilância Sanitária de Franca, disse que a volume de festas clandestinas tem caído, mas admite que elas ainda acontecem. Em perfis de redes sociais dedicados para denunciar as “resenhas” e “happy-hours” feitos em Franca, são divulgadas imagens onde, na maioria das vezes, aparecem vários jovens reunidos festejando.


Perfil dedicado a expor aglomerações
 

Em uma das filmagens está marcada a data do último domingo, 21 de março, mês mais mortal da pandemia na cidade. No post, o administrador da página ainda expôs o nome de alguns participantes da festa, que, em determinado momento, começam uma briga, partindo para cima de um jovem. Naquele dia, o Boletim Epidemiológico marcava 21.174 casos positivos e 405 mortes provocadas pelo coronavírus. Dias após da publicação do vídeo, o perfil do Twitter onde o post foi feito, chamado de “exposed covid Franca”, foi retirado do ar.