que sabem os anjos se não sentem os pés inchados
o suor em bicas a boca seca e o coração vazio?
este pousou desfalecido nos meus ombros
tocou meu rosto quando disse-me acalma;
da vontade passageira refez o eterno e
selou meus lábios num beijo em brasa
o ângelus novus retirou as sombras dos juízos,
no aterro das consciências deu-me lugar no mundo
e nessa clareza rarefeita esclareceu-me reificado
de fato eu não faz nada, não ata nem desata
faz tempo está sem faro, o que pensa pesa,
e ele pena - pesar é tudo que eu leva
(Compartilho com os leitores desse Caderno um poema do meu novo livro que sai pela editora Penalux em abril.)