A mãe de Taune Cristina, a jovem de 21 anos morta com covid-19 dias após um parto de emergência, Jucélia Maciel, de 40 anos, contou ao portal GCN como foram os últimos dias de vida da filha. A vítima, que era balconista em uma casa de ração em Guará, pegou covid-19 no sétimo mês de gestação.
“Ela teve alguns sintomas. Febre, diarreia, tosse e se sentindo fraca. Após passar nos médicos de Guará, ela chegou a ser internada, mas os médicos tratavam os sintomas como algo relacionado à gravidez, porque ela estava quase para ganhar (o bebê). Ela fez um teste rápido, mas deu negativo. Os médicos, então, fizeram o exame do cotonete (PCR) e, esse deu positivo. Mas quando o exame saiu, ela já estava com os dois pulmões comprometidos”, disse a mãe da jovem.
Tauane, então, precisou ser levada até a Santa Casa da cidade de Ituverava, mas quando o teste saiu, ela precisou ser transferida com urgência para Franca. Já que na cidade vizinha, não tem UTI (Unidade de Terapia Intensiva) neonatal.
“Lá em Ituverava eles conseguiram uma vaga para ela em Franca. Foi até rápido. Depois ela ganhou o Benício e o parto foi tudo bem. Precisaram reanimar o Benício por conta da sedação. Mas, tirando isso, foi tudo bem no parto. Depois disso, foi desesperador. A gente não sabia quando ia ter informação dela”, continuou Jucélia.
A mãe conta que sempre acreditou na vitória da filha. Correntes de oração foram feitas em várias cidades da região. E lembra como era a filha.
“A gente da família acreditava que ela ia voltar. Fizemos correntes de oração. Eu creio que Deus fez o que tinha que fazer. A Tauane era menina muito boa. Com 21 anos, ela já tinha a família dela, casa, carro e um emprego bom. Era uma menina muito responsável. Eu admirava muito minha filha.”
“Quando fui me despedir dela, no necrotério do hospital, notei que os olhos estavam com lágrimas, porque quando eles falaram que ela tinha morrido, eu já estava lá no hospital. Conversei com o médico e ele disse que ‘mesmo sedada, ela ainda ouvia os nossos recados’. Falávamos que amávamos ela, do Benício, do marido. Os médicos ainda falaram que, antes da morte, contaram que seu filho já sairia da UTI do hospital, nesse momento ela deu seu último suspiro”, finalizou a mãe.
Tauane era casada havia quatro anos. Benício foi o primeiro filho do casal. O corpo da jovem foi sepultado na terça-feira (23), no cemitério municipal de Guará.
Bebê tem melhora
O pequeno Benício Maciel de Souza, de apenas 12 dias, filho da jovem Tauane Cristina, 21, que morreu por complicações da covid-19 na última segunda-feira (22), apresentou melhoras e os médicos já programam para os próximos dias a alta do bebê da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) para a Unidade de Cuidados Intermediários.
Benício está internado desde o dia 11 de março, após ter nascido de parto prematuro em uma cesárea considerada de urgência. No parto, a criança precisou passar por manobras de reanimação neonatal, porque sua mãe estava sedada por conta da covid-19. O procedimento, como um todo, foi bem-sucedido.
Nascido em um momento tão delicado, o pequeno não teve a oportunidade de conhecer a mãe, que morreu 11 dias após ganhar seu único filho. Ele nasceu com 51 centímetros e pesando 2,290 Kg. Segundo a Santa Casa de Franca, Benício teve uma evolução positiva e já está com programação de alta da UTI para a Unidade de Cuidados Intermediários, pois está bem e estável.
O pai da criança, que preferiu não dar entrevistas, disse que o filho está bem, se alimentado por sonda. Mas não precisa mais de oxigênio, algo que estava utilizando desde o dia do nascimento.