Na realidade não é meu. Está em um terreno que julguei ser baldio, mas vi que o haviam carpido e preservado o pezinho de mamão. Raquítico, com apenas um fruto ainda verde. Percebi os apetrechos do jardineiro rente ao muro de uma casa vizinha. Fiquei a bendizer aquele ser que teve empatia para com outro ser vivo. Mesmo que de outro reino. Foi um momento meditativo, pelo alívio que me trouxe neste momento planetário de tantos desequilíbrios. Alguns assustadores demais. Qualquer dia desses vou visitar o pequeno mamoeiro. Tomara que esteja lá. Antes da capina, o mato o protegia. Agora está só, vulnerável, mas retilíneo em direção ao alto. Sempre que me lembro dele rogo à Vida que o proteja da sanha da perversidade, da ignorância e da inconsequência.