08 de julho de 2026

2.349: Em nome de todos

Por Baltazar Gonçalves | Especial para o GCN
| Tempo de leitura: 1 min

A Terra é chata se vista no mapa de um plano cartesiano onde linhas retas se cruzam e dão suporte a quem transita funcionando bem ao destino traçado do viajante; agora, se o planeta fosse a vista que se tem de fora dele, de uma sonda máquina solta no espaço, é parecida a uma bola azul esverdeada com aspecto murcho girando tridimensional feito sentimento sem nome.

Também uma vida, ali perdida entra as 2.349 mortes sofridas pelo covid, se esticada feito barbante e disposta na linha reta do tempo simplificado, por engano curta, indo de um ponto a outro nesse recorte fixo, restaria número em estatística no maldito plano em curso.

Mas se do alto imaginado, como a Terra enamorada por Marte, importasse por um instante chorar a perda de um só nome de batismo, tanto mais a dor nos corroeria, porque alongando em perspectiva o semblante de uma só vítima da pandemia nas múltiplas dimensões das curvas sucessivas que esta vida pode dar, aos pés de Nossa Senhora que tem abaixo de si a serpente pronta a dar bote, nosso pranto desaguaria em nome de todos.