A Universidade Estadual Paulista (Unesp) decidiu estender suas atividades remotas (Ead) até o fim do ano letivo de 2021. A decisão da instituição visa facilitar a organização em conjunto dos 34 campi espalhados pelo Estado de São Paulo, além de entender que seja difícil uma melhora na situação da pandemia no país.
Em um documento emitido pela Unesp, intitulado “Reorganização das atividades acadêmicas e administrativas”, são expostos estudos sobre a situação da covid-19 nas regiões que abrigam campus da universidade e algumas explicações sobre qual cenário seria seguro um retorno presencial das atividades. Um trecho do documento afirma:
“O processo de reorganização das atividades acadêmicas e administrativas foi iniciado e será continuado, em suas diferentes etapas, enquanto perdurar a pandemia da Covid-19, a circulação do vírus (...) Não há como precisar quanto tempo esse processo perdurará, mas estudos apontam que é possível que tenhamos que conviver com medidas de distanciamento social, mais ou menos rígidas, e monitoramento da doença por um período que pode prolongar-se até 2022 ou mesmo até 2024.”
A princípio, apenas cursos que sejam estritamente necessárias atividades presenciais poderão ser uma exceção ao longo do ano. Os que forem possíveis se manter com o Ead, assim permanecerão.
O diretor na Unesp Franca, Murilo Gaspardo, afirma que a medida tomada pela instituição tem como objetivo proteger a comunidade acadêmica e contribuir com o controle da pandemia. Ele afirma também que os quatro cursos ofertados na cidade não se enquadrariam em quaisquer exceções e, portanto, permanecerão de forma remota até dezembro.
“A retomada de atividades de ensino em que seja imprescindível sua realização presencial dependerá da evolução da pandemia conforme as fases do plano SP. Os cursos de Franca não se enquadram nessa condição, de maneira que a recomendação é a manutenção do ensino remoto até o final do ano. Porém, tudo precisa ser reavaliado continuamente", relatou o diretor.
Alunos
Do ponto de vista dos acadêmicos, o ensino a distância não é exatamente um sonho. A estudante do 3º ano de Serviço Social Rebeca Dunce não se diz surpresa com a decisão e que, apesar do Ead não ser a melhor experiência universitária, ainda é necessário. “Na verdade, eu já esperava por isso desde que a pandemia começou. Eu achei que isso duraria pelo menos até o meio deste ano. Como as coisas só pioram, a tendência é permanecer desse jeito, infelizmente.”
A estudante afirma que o mais difícil com as aulas remotas é o empenho e a vontade de participar ativamente das discussões. “Por mais que pudesse ser cansativo ir todos os dias até o campus, a presença de pessoas e amigos é motivador. Trazer as aulas para dentro de casa me desanimou muito”, lamentou.
Apesar de sentir falta das aulas presenciais, Rebeca afirma que a melhor maneira é continuar com as atividades como dá. “Todos têm pretensões e se programam para terminar os estudos em alguns anos. Sem aulas, todo planejamento, tanto de vida como financeiro, iria por água abaixo. Então, acredito que o Ead é a melhor maneira de lidar com o problema hoje”, concluiu.
O mestrando Vinícius de Oliveira concorda com a necessidade do Ead. “Vemos os números de jovens internados em UTIs aumentar nas últimas semanas por causa da covid-19. Além disso, a universidade, enquanto espaço científico, não pode ignorar a situação que o país se encontra.”
O futuro mestre ainda reforça que fazer uma graduação online não é a melhor forma de utilizar a universidade em favor do aluno, mas que é a decisão mais acertada durante a pandemia. “O Ead está longe de ser a melhor forma de ensino, considerando que o espaço em si é extremamente importante para o aprendizado, mas sem um contexto de segurança para estudantes, professores e os servidores técnico-admnistrativos, é impossível e insustentável o retorno das aulas presenciais.”