10 de julho de 2026
FASE VERMELHA

Donos de bares e restaurantes se unem contra restrições: 'ou recebemos ajuda do Estado ou deixem a gente trabalhar'

Por Victor Linjardi | da Redação
| Tempo de leitura: 3 min
Reprodução
Uma das postagens feitas no Instagram do grupo

Após o anúncio do Governador de São Paulo, João Doria (PSDB), que todo o Estado ficaria ao menos 15 dias em fase vermelha do Plano SP, bares e restaurantes de Franca se uniram, criaram um grupo e um perfil nas redes sociais chamado de “Estabelecimento Responsável”. O objetivo da união é alertar as autoridades de que existem locais que cumprem os protocolos exigidos pela Saúde.

No primeira postagem no perfil do Instagram, um selo – que leva o nome do grupo – foi divulgado com os dizeres “se você está vendo este selo em restaurantes, pode confiar!”. O grupo diz ser a união dos “maiores restaurantes de Franca, com o intuito de proporcionar confiança e conforto ao consumidor, seguindo rigorosamente os protocolos de higienização”. Em outras publicações há o logo de 36 bares e restaurantes francanos.

A reportagem conversou com um dos representantes do movimento, Tiago Faleiros, 37, que é proprietário do restaurante ‘Arroz com Feijão’. Ele alega que o setor é um dos mais prejudicados na pandemia e criticou o “abre e fecha” que vem acontecendo com as reclassificações do Plano SP. “Todos os bares e restaurantes de Franca estão à beira do colapso. Vários já fecharam em definitivo e o número de demissão foi altíssimo, além de prejuízos irreparáveis”, lamentou.

O comerciante explicou a origem do “Estabelecimento Responsável” e o que motivou a criação do logo. “Criamos esse grupo não só para defender nossos objetivos em comum, mas principalmente em servirmos de exemplo, mostrar que somos responsáveis, que cumprimos os protocolos e que não somos os grandes culpados pela propagação da Covid”.

“Acreditamos que a melhor maneira seria fiscalizar e punir os que não estão seguindo protocolos. Isso em todos os ramos”, acrescentou.

Sem poder de fiscalizar
Alguns dos membros do grupo, no entanto, já foram flagrados com aglomerações e denunciados por descumprirem protocolos em Franca. Chegaram, inclusive, a serem multados pela Vigilância Sanitária. Questionado, Tiago concordou que não são todos que levaram a risca os protocolos de segurança, mas ressaltou que "o Selo foi criado muito recentemente e não tem o poder de fiscalizar nem de garantia, infelizmente".

Segundo Faleiros, a esperança é que não só o selo, mas também a união dos estabelecimentos faça com que aqueles que anteriormente deixaram de cumprir o protocolo possam fazer agora. "Acreditamos que ele sirva como estímulo e uma pressão do próprio grupo para trabalharmos da forma mais correta possível".

"No início, o grupo era muito restrito e realmente a intenção era garantir o cumprimento dos protocolos. Mas com estes últimos acontecimentos, e a imposição de fechamento mesmo estando com números pra permanecer fase laranja, sentimos a necessidade de juntar todos os estabelecimentos possíveis para ganhar força e lutar pelos direitos em comum", completou.

“A realidade é que chegamos num limite. Ou recebemos ajuda do estado ou deixem a gente trabalhar, é nossa única solicitação”, desabafou o empresário.

Desde a meia-noite deste sábado, 6, bares e restaurantes só podem funcionar com sistema de delivery ou take-away. Não está permitido o consumo no local, com os novos decretos estadual e municipal.