11 de julho de 2026
GRUPO DE ATAQUES

'Podem ser responsabilizados por associação criminosa', diz vice da OAB sobre 'A tropa em shock'

Por Lucas Faleiros | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Arquivo Pessoal
O vice-presidente da OAB Franca participou do programa A Hora é Essa! de hoje

A divulgação dos ataques articulados e realizados por um grupo fechado de Facebook chamado “A tropa em shock”, que conta com 422 membros – a maioria deles francanos -, gerou repercussões.

Segundo o vice-presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) de Franca, Acir de Matos Gomes, os integrantes poderão ser responsabilizados por associação criminosa caso seja provado que o grupo foi criado para promover práticas ilícitas. A declaração foi dada nesta segunda-feira, 1°, durante o programa A Hora é Essa!, da rádio Difusora.

As investidas do bando, feitas de diversas formas, que vão desde debochar em publicações das redes sociais até agressões verbais, eram direcionadas para qualquer pessoa ou instituição que fosse contra as convicções dos participantes.

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Um dos alvos escolhidos já chegou a ser a OAB Franca. No dia 5 de novembro do ano passado, um dos usuários mais ativos do grupo, chamado Wesley Patrick Silva, sugeriu que a sua “tropa” invadisse uma live que ainda seria realizada pela instituição para discutir o caso de Mariana Ferrer - influenciadora catarinense, atacada durante julgamento de caso em que ela acusava um empresário de estupro. “Precisamos invadir isso!”, escreveu.



Acir, que participava da transmissão junto com o promotor de Justiça Cláudio Escavassini, até notou alguns comentários, mas não deu importância naquele momento. “Estávamos muito focados no assunto discutido. Não sei nem do que se tratavam. Se eles agiram, não tiraram o nosso foco.”

Apesar disso, o vice-presidente da subseção francana da OAB afirmou que os membros da comunidade poderão, sim, ser responsabilizados criminalmente. De acordo com ele, se alguma fala configurar injúria, difamação ou calúnia, os responsáveis poderão até ser obrigados a pagar indenizações.

“O Brasil deixa livre o direito de se expressar, desde que de maneira identificável e respeitosa. Se fizeram ofensas que geraram danos a nomes, instituições ou quaisquer partes, teremos problemas. Essas pessoas vão ser identificadas e as medidas cabíveis tomadas. Quem se sentiu lesado pode entrar com uma ação. Além disso, se for provado que esse grupo realmente está articulado para a prática de crimes, eles serão responsabilizados como associação criminosa”, afirmou.

O advogado ainda aproveitou a oportunidade para repudiar os linchamentos virtuais, a exemplo dos que foram feitos pelos participantes do “A tropa em shock”. “Nós precisamos avançar para o lado da ética e da responsabilidade. Nós podemos discordar. Ninguém precisa estar totalmente de acordo com o que o outro diz. Não há necessidade de ter falta de respeito. A gente não pode admitir ofensas de cunho pessoal, aquelas que têm objetivo de desqualificar o outro. O ódio é destrutivo.”