10 de julho de 2026
ENTREVISTA

'Trabalhava de domingo a domingo. Não tinha tempo de pensar em coisa errada', afirmam irmãos de Alan Diego ao '1X1'

Por | da Redação
| Tempo de leitura: 2 min
Reprodução/Facebook
Alan Diego foi morto na última terça-feira, dia 2
Amanda Ferreira Marques e Alysson Ferreira, irmãos de Alan Diego Marciano, morto na última terça-feira, 2, em uma abordagem policial na ponte de acesso ao bairro da Vila São Sebastião, foram entrevistados no 1x1 desta sexta-feira, 5. Na live comandada pelo jornalista Corrêa Neves Jr. e transmitida pelas redes sociais do GCN, o casal de irmãos conta como era a rotina de Alan, os sonhos interrompidos, como descobriram o homicídio e como está toda a família perante ao crime.

Criados na zona Oeste, os irmãos contam, de maneira franca e aberta, como era a vida de Alan. Ambos não escondem o envolvimento do rapaz com o tráfico de drogas e as dificuldades vividas por eles durante toda a vida. Mas garantem que o irmão não era violento e que não tinha brigas com ninguém.

Segundo o barbeiro Alysson, Alan ficou preso por três anos e meio pelo crime de tráfico de drogas, mas que ele já havia se acertado com a Justiça.

“Ele não era violento, não tinha rincha com ninguém. Tivemos envolvimento, sim, com o tráfico de drogas, mas isso foi lá atrás. Ficou para trás. Ele pagou por todos os crimes que fez. Ele foi preso, eu também já fui. Mas ele havia mudado de vida. Quando ele saiu da cadeia prometeu para minha mãe que ia mudar de vida e que ia viver para a filha e daria orgulho à mãe.”

Trabalhando na Pescave há cerca de um ano, Alan tinha o sonho de tirar a carteira de habilitação e comprar um carro, para dar um conforto maior à sua filha.

“Ele trabalhou em um lava jato por um ano sem registro, até arrumar o emprego na Pescave. Ele trabalhava muito, não tinha tempo para pensar em coisa errada”, afirma Amanda.

Amanda contou que no momento em que o irmão foi alvejado pelos militares, ela estava preparando o  jantar para sua família, quando ficou sabendo da morte do irmão.

“Minha outra irmã, que também mora na São Sebastião, me ligou e disse: ‘Ô, sobe aqui na Cândido Portinari, que atiraram no Alan e mataram ele’. Montei no carro com meu esposo e meus filhos e fui até lá desesperada. Chegamos no pontilhão e nos deparamos com aquela cena horrível que os policiais estavam fazendo. Jogando bombas. Não deixando chegar perto, nem nada. Eu queria chegar perto do meu irmão, mas quando cheguei, ele já estava com aquele saco por cima do corpo”, disse Amanda.

Para os irmãos, o tratamento que os negros têm da polícia é diferente de outras raças e que isso foi um dos motivos para a abordagem.
 
Acompanhe a entrevista a seguir: