10 de julho de 2026
BASE FORTE

Jovens francanos vão ao Paraná em busca do sonho de jogar basquete profissional

Por Victor Linjardi | da Redação
| Tempo de leitura: 6 min

Mesmo Franca sendo considerada a capital do basquete, jovens de 16 anos deixam a cidade na busca de se tornarem profissionais no esporte. Não só outra cidade, como outro Estado. Vitor Henrique Mota, Diego Júlio, Guilherme Lana, Flávio Santos e Leandro Henrique Silva foram aprovados na peneira de Marechal Rondon, no Paraná, e deixarão Franca com o único objetivo: realizar o sonho de ser jogador profissional.

Acompanhados de familiares, eles viajaram para a nova cidade neste domingo, 7. Os cinco dividirão um apartamento no Centro da cidade e jogarão pelo mesmo time e mesma categoria, sub-17. Por ser uma cidade que respira basquete, o nível das categorias de base em Franca é alto. Isso leva diversos jovens a desistirem de suas carreiras ou buscar outros lugares para manter os objetivos vivos.




Vitor Henrique, 16, é Ala/Pivô, tem 1,95m de altura e contou que já tinha feito algumas peneiras. Uma delas foi no Sesi, onde foi aprovado com 12 anos, mas por dificuldades financeiras não conseguiu se manter lá. “Fiquei só duas semanas lá. Não morava perto do Sesi e minha mãe não queria que eu fosse sozinho a pé. Como tínhamos dificuldades para outros transportes, acabei saindo”.

Mesmo com as dificuldades, Vitor não desistiu e seguiu tentando. Manteve seus treinamentos entre o Instituto Aspa (Associação de Pais e Amigos do Franca Basquetebol Clube) e o Instituto Chuí. As dificuldades não o abalaram e, com ajuda de familiares, conseguiu uma bicicleta que serviu de transporte para que não parasse de treinar. “Fazia chuva ou sol e estava treinando. Minha tia e meu cunhado me ajudaram nessa, juntando dinheiro”.

Em 2020 tentou ser selecionado pelo Corinthians, mas sem sucesso. Foi então, em dezembro, que o time de Marechal Rondon veio fazer a peneira com francanos. Eram 20 garotos disputando cinco vagas. “Estou muito ansioso. A expectativa é a melhor possível, quero treinar e estudar muito para melhorar e alcançar objetivos ainda maiores”, comentou o Pivô.

 

Diego Júlio Firmino, 16, é mais um dos cinco selecionados na peneira do time paranaense. Ele contou que o técnico Marcelo Goes veio a Franca para realizar a seleção, feita na AABB. “Foi muita disputada, tinham bons jogadores, mas felizmente consegui ir bem e me destacar”, contou.

Diego é armador e tem 1,83m de altura. O jovem conta que sua paixão pelo basquete veio aos 11 anos, quando seu pai o levou para assistir um jogo do Franca Basquete no Pedrocão. “Na mesma semana abriu uma vaga no Instituto Anderson Varejão e fui tentar. O técnico de lá era também do Aspa e me convidou a tentar também. Fui aprovado e joguei lá do sub-12 ao sub-16”.

Ele comentou sobre sua escolha em deixar Franca e a motivação que o levou a isto. “A maior motivação é poder continuar jogando basquete e manter o meu sonho vivo, pois eu não tive oportunidade de continuar jogando aqui em Franca. Estou muito animado para essa nova experiência na minha vida, conhecer lugares e pessoas novas acho que vai ser bem legal”.

Para ele, a experiência de morar junto com seus colegas e dividir o mesmo sonho é uma vantagem. “Acho que vai ser muito bom pois conheço todos que vão, além de termos uma amizade bem legal. Eu sei que todos que estão indo daqui de Franca vão se empenhar e dedicar ao máximo para ganharmos títulos”.

 

Já Guilherme Lana, 16, é Ala e tem 1,93m de altura. Sua maior influência no basquete o próprio pai que sempre praticou o esporte e também tinha o sonho de ser profissional. “Eu nasci com a bola de basquete na mão”.

Guilherme conta que seu primeiro contato com um treino veio através do projeto de esportes que seu tio idealizou, em Cristais Paulista, onde tinham aulas de basquete. Lá treinou dos 5 aos 11 anos, com a professora Cléo – mãe dos jogadores Alexey e Adyel, conhecidos dos francanos. Foi ela que o incentivou a prestar a peneira do Aspa onde foi aprovado. O ala atuou por lá até os 14 anos, quando se transferiu para o Sesi. “Fiquei no Sesi até o fim de 2020, mas por algumas mudanças acabei sendo dispensado do clube. Porém com muita vontade fiz a peneira de Marechal e pude ser aprovado”.

Lana já pensa em título por lá e não esconde a ansiedade. “Ainda faltam dois dias para a mudança e a ansiedade é o que mais aparece. Sei que o time estará competitivo e o foco é ser campeão paranaense”.

 

Outro que desde pequeno respira basquete é Flávio Santos, 16, Ala/armador, de 1,85m de altura.  Seu pai era segurança do Franca Basquete na sua infância e sempre o acompanhava. “Eu ficava sentadinho ao lado dele vendo os jogos desde pequeno”. Com 12 anos, Flávio teve seu primeiro contato com a bola em um projeto da escola. O projeto não durou muito, mas sua vontade de continuar persistiu.

Por coincidência, em 2016 – ano de eleições – Chuí, fazendo campanha para ser vereador, passou pela fábrica de solas de sapato que os pais de Flávio trabalhavam. Foi neste contato que conseguiu entrar para o Instituto e voltar aos treinos. “O Chuí me convidou para uma avaliação e eu fui. No dia seguinte já estava lá novamente, treinando. Em um ano, consegui ir para a equipe principal. Foi uma experiência muito boa”.

O jovem comentou as oportunidades que o esporte lhe ofereceu. “Conheci outras cidades e estados, além de ter tido a oportunidade de conhecer a Argentina. Sem o basquete não teria conseguido nada disso”.

Em 2020, após ótima temporada no ano anterior, foi convidado para jogar no Corinthians, mas os planos não deram certo no fim. “Fiquei muito abalado, pois com atrasos de papéis e alguns desentendimentos não pude ficar em São Paulo. Já tinha até casa para ficar lá. Foi quando quase desisti de ser jogador”.

Apesar desse abalo, Flávio não desistiu e quando ficou sabendo da peneira do Marechal, viu a oportunidade de recomeçar. “Foi um alívio muito grande, uma verdade oportunidade de recomeçar minha carreira. Acredito que não poderia estar em um lugar melhor”.

 

Leandro Henrique Silva de Oliveira, 16, é pivô e tem 1,93m de altura. Ele joga basquete desde os 12 anos, motivado por uma professora de sua escola que o incentivou a praticar o esporte por conta da sua altura. “Minha professora me indicou para a peneira da Aspa e consegui passar. Treinei lá por cinco anos e foram os melhores da minha vida. Aprendi muito não só no basquete mas também na vida”.

Sobre a mudança de cidade, Leandro diz estar animado e que a motivação para esta decisão foi pela dificuldade por espaço na sua categoria (sub-17). “Franca é muito concorrido e eu percebi que as chances de eu jogar em algum time daqui era muito pequena. Por isso a chance de ir para o Paraná é uma oportunidade única para ganhar experiência e evoluir mais ainda. Estou muito ansioso por esse momento, a expectativa é a melhor possível”.