09 de julho de 2026
DENÚNCIA ACEITA

Marcelo Crivella vira réu por corrupção e lavagem

Por | do Estadão Conteúdo
| Tempo de leitura: 2 min
Rogerio Santana/GOV RJ

A Justiça do Rio aceitou denúncia contra o ex-prefeito da capital Marcelo Crivella (Republicanos), que agora virou réu pelos crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa no processo aberto a partir das investigações do "QG da Propina". Derrotado no ano passado na tentativa de se reeleger prefeito do Rio, Crivella é acusado pelo Ministério Público do Estado de comandar um esquema de liberação de pagamentos a credores do Executivo municipal e direcionar licitações em troca de propina. Ele nega.

Outras 25 pessoas também foram denunciadas. Entre elas, o empresário Rafael Alves, apontado como o principal operador financeiro da organização; seu irmão Marcelo Alves, ex-presidente da Riotur; o ex-senador Eduardo Lopes (Republicanos); o empresário Arthur Soares, o 'Rei Arthur'; Mauro Macedo, primo e ex-tesoureiro das campanhas de Crivella; e o marqueteiro Marcelo Faulhaber.

A decisão é da juíza Juliana Benevides, da 1.ª Vara Criminal Especializada de Combate ao Crime Organizado - com fim do mandato, Crivella perdeu foro e a investigação foi redistribuída para primeira instância. "A denúncia vem lastreada de elementos informativos que configuram justa causa, consubstanciando indícios de autoria a respaldar o seu recebimento, ressaltando-se que não há análise de mérito nesta fase processual", escreveu a juíza.

A denúncia foi subsidiada por mensagens extraídas dos celulares dos investigados, planilhas, cheques, fotografias e prints de telas de computadores, além dos relatos prestados pelo doleiro Sérgio Mizrahy em colaboração premiada. O doleiro detalhou o funcionamento do suposto esquema criminoso envolvendo membros da prefeitura, empresários e pessoas físicas e jurídicas usadas como "laranjas". A delação foi o ponto de partida das investigações.

Crivella foi preso preventivamente em dezembro, nove dias antes de encerrar o mandato. Após ser encaminhado ao Presídio de Benfica, ele foi beneficiado por uma liminar expedida pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Humberto Martins, e colocado em prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica. Desde então, está proibido de manter contato com outros denunciados e impedido de acessar telefones, computadores e tablets apreendidos em seu apartamento.

Defesas

Os advogados de Crivella disseram que vão se manifestar após tomar ciência de decisão. A defesa de Marcello Faulhaber afirmou que ele "não participou de nenhuma atividade ilícita e não recebeu qualquer benefício ou vantagem pessoal derivada do QG da Propina". A defesa de Rafael Alves disse que ele é "vítima de excessos do Ministério Público" e que "não há comprovação" das acusações. Os advogados dos demais citados não foram localizados até a conclusão desta edição.