Atualizada às 20h06,
com a resposta da
Secretaria Estadual da Educação
Casos de coronavírus marcam a retomada das atividades em pelo menos duas escolas estaduais de Franca: “Helena Cury de Tacca” e “Pedro Nunes Rocha”. Professores denunciam casos positivos para a covid-19 e pessoas precisaram voltar para o teletrabalho, desde o reinício dos trabalhos, na última sexta-feira, 29. Afirmam também que os diretores estariam omitindo as ocorrências registradas dentro das instituições.
Cinco professores denunciaram ao GCN as ocorrências e expressaram o medo de retornar ao trabalho. Segundo um educador, que prefere não se identificar por medo de represálias, um caso positivo foi registrado na EE “Profa. Helena Cury de Tacca”, no Jardim Tropical, região Norte de Franca, e quatro pessoas retornaram ao trabalho remoto, como forma de prevenção.
Os quatro funcionários tiveram contato direto com o portador do vírus na escola. “Tivemos a confirmação de um dos professores. Ele teve contato com a equipe gestora – os coordenadores. A partir dessa semana eles estão trabalhando a distância.”
Situação semelhante passa a EE. “Prof. Pedro Nunes Rocha”, situada na Vila Europa, na zona Sul da cidade. Um caso positivo foi contabilizado. Em contrapartida, os demais profissionais retornaram ao sistema remoto de trabalho, após contato com o infectado.
“Tenho colegas e amigos professores na escola. Um dos professores estava infectado e participou do planejamento. Possivelmente, esta pessoa teve contato com a equipe gestora e professores também, e por este motivo a escola decidiu passar as atividades para home office”, explicou o professor.
Em contato com a escola, a direção confirmou o caso positivo no corpo letivo e corrigiu a informação sobre o afastamento. Apenas os funcionários que tiveram contato direto com o infectado estão trabalhando a distância. Os demais seguem presencialmente.
Casos positivos também foram diagnósticos na EE “Prof. Agostinho de Lima Vilhena”, no Jardim Noêmia, também na região Sul do município. Um funcionário contou que tem conhecimento de três casos positivos entre os professores, antes do retorno das atividades presenciais. “Vale lembrar que a escola voltou presencialmente sexta-feira, ou seja, há três dias úteis e há casos de familiares de professores que estão contaminados.”
Após o período de férias da rede estadual, os professores estão passando por uma formação. Com início na última sexta-feira e prevista para encerrar ao final desta semana, sem a presença de alunos, a medida visa capacitar os profissionais para o ano letivo de 2021.
Segundo eles, a reunião poderia ser on-line, uma vez que estão assistindo videoconferências nas escolas. “É uma reunião que poderia estar sendo feita on-line, cada um em sua casa, evitando o risco de contaminação. Porém, estão nos obrigando a ir para a escola”, completou o educador.
'Faltam materiais de proteção'
Outro problema apontado é a falta de materiais. Uma servidora estadual disse que faltam EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) na EE “Torquato Caleiro”, no Centro de Franca, para os funcionários.
“A gente está com falta de EPIs aqui hoje. Fiquei sabendo pela escola que o material enviado não seria suficiente, que eles precisariam comprar mais. Não tem nem xerox aqui na escola, dirá estrutura para manter os protocolos”, afirmou.
Devido ao tamanho do “Torquato Caleiro”, mesmo com revezamento, a servidora diz que a escola receberá muitos estudantes durante a pandemia. “Estamos com muita dificuldade de organizar os revezamentos entre os grupos de estudantes. Só pode até 35%. A escola é grande, temos salas com até 45 alunos. Então 35% já é bastante em uma fase vermelha, em um momento delicado que está na cidade”, completou.
'Omissão dos diretores'
Alguns professores afirmam que os diretores das instituições estão sendo orientados a não divulgarem os casos. A pressão seria realizada pela Secretaria Estadual de Educação, representada no município pela Diretoria de Ensino de Franca.
“A Secretaria (Estadual) quer abafar os casos. Eles querem abrir as escolas de toda forma. Os diretores estão sendo instruídos a não divulgarem que estão tendo casos dentro das escolas”, afirmou um educador.
Há quem pense que os gestores não estão sendo orientados a omitir. Porém, afirma que existem represálias. “Não acredito que diretora e coordenadora estão sendo orientadas a omitir casos. É meio pesada a palavra, mas minimizar, sem dúvidas. O Estado quer voltar de todo jeito... Tudo que atrapalhar essa intenção tem represálias, simples assim. As represálias e a pressão são sutis e tênues, mas existem”, disse professor.
O que diz a Prefeitura
Segundo a Assessoria de Comunicação da Prefeitura, a Vigilância Epidemiológica não foi notificada sobre uma série de casos na rede. “A Prefeitura de Franca, por meio da Vigilância Epidemiológica, informa que, até o momento, não foi notificada sobre o registro de muitos casos de covid em escolas da rede estadual e fará um contato com a Diretoria Regional de Ensino.”
O que diz o Estado
De acordo com a Secretaria Estadual de Educação, os professores que tiveram contato com os infectados pelo coronavirus, na EE "Profa. Helena Cury Tacca" e EE. "Prof. Pedro Nunes Rocha", estão em teletrabalho e as escolas seguiram todos os protocolos de segurança necessários para as ocorrências.
Especificamente, no “Helena Cury Tacca”, os funcionários que tiveram contato com um positivo realizaram testes. Após o resultado negativo, eles retornaram ao trabalho, seguindo as medidas de segurança impostas.
Para a ocorrência na EE. “Prof. Agostinho de Lima Vilhena”, o Estado segue todas os protocolos de segurança impostos pelo Comitê de Contingencia da Covid-19, para inibir a propagação do vírus. Já na EE “Torquato Caleiro”, todos os materiais e quantidades previstas foram entregue corretamente na instituição.
“Para a retomada, a Seduc-SP adquiriu e distribuiu uma série de insumos destinados tanto aos estudantes quanto aos servidores. Como: 12 milhões de máscaras de tecido, mais de 440 mil faceshields (protetor facial de acrílico), 10.740 termômetros a laser, 10 mil totens de álcool em gel, 221 mil litros de sabonete líquido, 78 milhões de copos descartáveis, 112 mil litros de álcool em gel, 100 milhões de rolos de papel toalha e 1,8 milhão de rolos de papel higiênico”, finalizou.