08 de julho de 2026
PUBLIEDITORIAL

O ano novo e a velha ansiedade

Por |
| Tempo de leitura: 4 min
Divulgação

Frio na barriga, preocupação, medo, insônia e nervosismo fazem parte da vida de qualquer pessoa, pelo menos em alguns momentos, e o início de um novo ano pode ser um período em que todos esses sintomas surgem inesperadamente. Isso é o que chamamos de “ansiedade”, afinal, quando um ano novo se inicia, é normal o surgimento de muitas expectativas.

A pandemia do novo coronavírus (Covid-19) com o elevado número de mortes pelo mundo e as incertezas em relação ao prazo para a imunização da população são agravantes neste caso. Segundo relatório da Organização Mundial da Saúde (OMS), houve aumento nos casos de ansiedade independente da faixa etária. Além disso, a própria OMS já declarou, em 2019, que o brasileiro é o povo mais ansioso do mundo.

De acordo com o médico psiquiatra da Unimed Franca, Dr. Thales Leoncio Paim, é importante lembrar que a ansiedade é uma emoção normal do ser humano e pode surgir a qualquer momento, mas principalmente quando enfrentamos situações estressantes. “Os sintomas da ansiedade, que podem ser leves ou um pouco mais agressivos, são uma tentativa de proteção do nosso organismo que nos prepara para uma situação de perigo. Todos nós experimentamos a ansiedade em algum momento, seja numa apresentação ou quando encaramos uma situação nova, e isso é algo natural. Porém, a ansiedade pode se tornar um problema quando os sintomas passam a ser frequentes e mais intensos”, explica.

Mas, afinal, o que é ansiedade? É uma emoção decorrente do alerta de perigo e tende a ser proporcional ao perigo que estamos enfrentando. Porém, quando esse sistema de defesa passa a ficar excessivamente estimulado, pode se tornar um Transtorno de Ansiedade Generalizada (TAG). Nesse estado, o cérebro passa a ativar diversas partes do corpo para aumentar a chance de sobrevivência de modo desproporcional ao perigo que está de fato enfrentando, causando sintomas mentais e físicos que podem atrapalhar o dia a dia diante de situação simples.

Dr. Paim lembra ainda que toda essa situação de início de ano e pandemia podem fazer com que os sintomas de ansiedade apareçam ou se agravem, por isso é preciso ficar atento. “Caso os sintomas gerem sofrimento e interfiram negativamente na qualidade de vida, é indicado que se procure um médico psiquiatra para iniciar um acompanhamento antes que as consequências sejam piores, já que a ansiedade pode acabar desenvolvendo outros transtornos mentais como depressão, transtorno do pânico, elevação do risco de suicídio, entre outros tipos de sofrimento”, destaca. Além das reações emocionais, como medo e nervosismo, a ansiedade pode causar reações físicas, como taquicardia, falta de ar, tremor, dor de cabeça, tensão muscular, diarreia e alterações de sono.

Não existe fórmula milagrosa para evitar ou controlar a ansiedade, mas adotar um estilo de vida saudável pode ser um caminho interessante. “Além de apostar na psicoterapia como ferramenta de melhora da saúde mental, a prática de exercícios, a meditação ou outras técnicas de relaxamento e o cuidado com a qualidade do sono são fundamentais para garantir bons resultados. Além disso, no trabalho, é necessário fazer o possível para reduzir o estresse e controlar a jornada profissional. Mas o mais importante: não podemos sentir medo ou vergonha de pedir ajuda quando necessário”, explica Dr. Paim

Janeiro Branco: Saúde mental e um tabu que precisa ser quebrado

A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que 9,3% da população brasileira sofra com os sintomas mais graves da ansiedade, o que representa quase 19 milhões de pessoas. Mas, mesmo assim, falar sobre saúde mental ainda é um grande tabu.

Por isso existe o Janeiro Branco, uma campanha criada em 2014 com o objetivo de chamar a atenção da humanidade para as questões e necessidades relacionadas à saúde mental e emocional das pessoas e das instituições humanas. E essa campanha ocorre no primeiro mês do ano, pois em termos simbólicos e culturais as pessoas estão mais propensas a pensarem em suas vidas, em suas relações sociais, em suas condições de existência, em suas emoções e em seus sentidos existenciais.

Quando falamos em vida profissional, o tema ganha ainda mais relevância. Segundo o Ministério da Saúde, as doenças mentais estão entre as três principais causas de afastamento do trabalho no Brasil. E, em meio à pandemia do novo coronavírus (Covid-19), essa situação pode ter se agravado, principalmente em relação aos profissionais ligados à área da saúde, já que o momento é um potencializador de emoções, sentimentos e angústias.

A Unimed Franca, atenta à essa situação, passou a oferecer um Plantão Psicológico Institucional para atendimento aos colaboradores, incluindo as equipes do São Joaquim Hospital e Maternidade. A ideia do projeto é contribuir para a promoção da saúde do trabalhador.

“Ouvir é o nosso jeito de cuidar de quem cuida, e com tudo isso que estamos vivendo, precisamos dar total amparo, não somente aos pacientes, mas aos nossos profissionais.”, explica Michelle Figueiredo, coordenadora de gestão de pessoas da Unimed Franca, responsável pela implantação do programa.

Iniciativas como essa tem se tornado comuns nas empresas e, no fundo, bastante necessárias. “Nós sabemos que saúde mental é um tabu e que o trabalho pode ser um gatilho ou um agravante, por isso é importante que as empresas estejam atentas e informadas sobre o assunto para poderem garantir a qualidade de vida dos profissionais e, consequentemente, a manutenção e crescimento dos negócios”, conclui Dr. Paim.