08 de julho de 2026
FILHO DAS QUADRAS

Du Klafke: Basquete no DNA

Por Higor Goulart e Lucas Faleiros | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Marcos Limonti/Franca Basquete
Du Klafke revelou suas inspirações e sonhos

O dia 21 de dezembro de 2020 marcou a história da liga mais importante do basquete nacional. Eduardo Bersch Klafke, ala do Sesi Franca Basquete de apenas 15 anos, se tornou o mais jovem jogador a entrar numa partida do NBB. Seu tempo de jogo na estreia, que aconteceu na vitória do Franca contra o Fortaleza, foi curto, mas serviu para "Du" ganhar reconhecimento nacional e dar os primeiros passos rumo a um de seus sonhos: se tornar um grande ídolo da Capital do Basquete.

Por conta da influência de seu pai Rogério Klafke – grande ídolo e um dos maiores cestinhas da história do Franca Basquete - e de seu padrinho Helinho Garcia, o jovem praticamente nasceu dentro das quadras de basquete. “Eu jogo desde que me entendo por gente. A partir do momento em que passei a ter força para jogar a bola para cima, estou dentro da quadra com meu pai. Comecei bem novinho e fiz meu primeiro treino com só 4 anos”, contou.

Seu pai, com quem Du construiu uma relação de admiração e aprendizado, é seu grande ídolo e também quem mais ensina o jovem jogador. “A gente sentava no sofá e ele, sempre do lado, fazia eu perceber as coisas. Eu aprendo muito com ele. Me ajuda muito nesse sentido. É muito legal”.

Com passagens por Bauru, onde estava até retornar a Franca, e por equipes do Sul, o jovem fez sua primeira aula no Chuí Chuá e disputou seu primeiro torneio de base pelo Sogipa, equipe de Porto Alegre onde seu pai começou. No início do ano, ele estava no Bauru, onde Rogério Klafke era assistente técnico, mas, por conta da pandemia, acabou voltando para a Capital do Basquete. “Meu pai teve que sair de lá e escolhemos Franca, que é uma cidade que a gente conhece e tem muitos amigos, para ficar. Nisso, eu fui para o Sesi Franca, onde estou até hoje”.

Com a mudança de ares, as dificuldades poderiam se tornar rotina. Porém, justamente neste momento de adaptação, o garoto foi muito bem recepcionado pelos companheiros. “É difícil você chegar numa equipe onde não tem tantos conhecidos. Então, eles tiveram um carinho muito grande comigo e conseguiram me acolher da melhor forma. Foi muito top”.

Já familiarizado com o clube, Du foi surpreendido ao receber um convite para treinar com os profissionais. O convívio com os adultos, porém, exigiu muito e o obrigou a alterar radicalmente sua rotina. “Comecei a fazer nutricionista, mudei minha alimentação e tive que me acostumar com a nova rotina de treino. Tive até que mudar de posição. Antes, eu era um ala, mas passei a jogar de armador por causa da minha estatura. São coisas que a gente vai pegando na ‘pauleira’ do cotidiano”.

Junto com os treinos no time adulto, Du também continuou integrando a base do Sesi Franca e, por isso, precisou focar principalmente na sua alimentação. “Se eu não comesse bem, não conseguia ficar em pé o resto do dia”.

Passada a dificuldade inicial dos treinamentos e ainda se habituando à pressão de treinar com os profissionais, Eduardo, enfim, realizou o seu sonho. Faltando apenas 1 minuto e 32 segundos para o apito final e utilizando a mística camisa 14 - número que marcou a vitoriosa passagem de seu pai pelo Franca -, Du Klafke foi chamado pelo técnico Helinho e fez sua primeira partida como profissional.

“Eu fiquei muito feliz por ter sido pelo Franca, que é da cidade onde nasci e tenho um grande carinho. Quando o técnico me chamou, falou meu nome, foi um misto de sentimentos. Muita felicidade e ansiedade”.

Sua estreia proporcionou a ele até mesmo uma menção nas redes sociais da liga. “Filho do lendário Rogério Klafke, Eduardo Klafke se tornou o jogador mais jovem de todos os tempos a entrar em quadra no NBB. É a história sendo feita!”.

O momento especial de Du e a possibilidade de ter uma sequência, no entanto, foram interrompidos pela pandemia do coronavírus. O jovem contraiu a covid-19 e encontra-se recolhido junto à sua família. “Acho que daqui alguns dias estarei de volta. Não aguento mais ficar aqui em casa. Quero voltar rápido para quadra e ficar o tempo todo lá”.

Para quando estiver recuperado, o jovem já traça metas e pensa em retornar com tudo para ajudar o Franca Basquete. “Quero melhorar muito como jogador e ficar pronto para atuar pelo time quando eles precisarem de mim. Por isso, tenho treinado para me tornar um jogador versátil”.

Além dos objetivos a curto prazo, Du também sonha em ser um grande ídolo do Franca. Seguir os passos de seu pai e ser tão vitorioso quanto ele – ou mais – são algumas de suas intenções. “Desejo ter uma carreira igual à do meu pai. Quero ser reconhecido como ele foi. Ele passa e todos o conhecem. Eu gostaria que isso acontecesse comigo também”.

Sonho alto
Mas, claro, como qualquer jogador de basquete, Eduardo tem como seu objetivo central chegar à NBA – principal liga de basquete no mundo. E o garoto já tem até suas grandes inspirações: o norte-americano Stephen Curry e o esloveno Luka Don?i?, superastros da competição. “A minha meta é chegar num time de lá. Qualquer que seja, eu vou estar muito feliz. Farei o meu máximo para chegar naquele nível”.

Se depender apenas de seus esforços e força de vontade, Du Klafke tornará seus sonhos reais. O jovem vive o esporte que pratica. “Ou eu estou jogando basquete, ou estou descansando. Meu foco sempre é o basquete. Eu não penso em outras coisas. Basquete é minha vida e só isso que eu faço”.

E nem mesmo as críticas, que vez ou outra acabam surgindo de torcedores com cabeça mais quente, devem ser capazes de atrapalhar a trajetória do atleta. “Só me motivam a melhorar. Eu prefiro nem responder. Gosto mais da ideia de deixar meu jogo responder dentro da quadra”, finalizou.