09 de julho de 2026
NOVO GOVERNO

Alexandre quer bares abertos e desafia Plano SP: 'Vou passar por cima'

Por Heloísa Taveira | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Dirceu Garcia/GCN
Alexandre Ferreira em entrevista ao programa 'A hora é essa!', da rádio Difusora

“Se ele tiver algum problema em São Paulo ou na Capital, o problema é dele e não meu. Vou mostrar que tecnicamente eu posso fazer coisas diferentes e melhores aqui em Franca, porque nós temos o controle da cidade.”

A frase acima é do prefeito eleito de Franca, Alexandre Ferreira (MDB), sobre o governador João Doria (PSDB), que na semana passada diminuiu o horário de abertura de bares e restringiu o funcionamento dos restaurantes.

A afirmação foi feita na manhã desta segunda-feira, 14, quando Alexandre esteve nos estúdios da rádio Difusora para participar do programa A hora é essa!. Na entrevista de quase uma hora e meia, o futuro prefeito de Franca pôde discutir sobre algumas ações que planeja para seu governo, principalmente no ano de 2021. Questões como transporte coletivo, programas assistenciais, equipe de governo e combate à covid-19 foram tratados.

Logo de cara, Alexandre disse não concordar com o que foi decretado pelo governador João Dória na última sexta-feira, 11, sobre o horário de funcionamento de restaurantes e bares. Afirmou que "vai passar por cima desse decreto" e, se necessário, “brigar” com Doria. “Vou conversar com o governador para entender tecnicamente isso. Se alguém me convencer de que aquilo é certo, tudo bem. Por enquanto, epidemiologicamente, não tem justificativa”, ressaltou.

Para Alexandre, o que precisa realmente é localizar a origem do problema, e não fechar estabelecimentos. "Vamos marcar uma reunião com o comitê de enfrentamento da covid para entender os números. É necessária uma avaliação semanal: primeiro você impõe um ritmo de trabalho e uma semana depois você avalia e vê o aumento do contágio ponto a ponto. Até agora, eu não vi esses números.” A intenção do prefeito eleito é criar medidas de segurança e, se os estabelecimentos seguirem todos os protocolos, não será restringido o horário de funcionamento.

 

Leitos de UTI

Além da preocupação com a disseminação do coronavírus, o próximo administrador da Prefeitura pode se deparar com um sistema de saúde despreparado para atender os pacientes com maiores sequelas do coronavírus. Neste mês vencem quase todos os contratos dos leitos em operação e existia o risco de 2021 se iniciar com apenas dez leitos de UTI destinados à doença.

No entanto, Alexandre Ferreira garantiu nesta manhã que os 30 leitos em funcionamento não serão desativados. “Eu disse para que a Santa Casa não desmonte os leitos, porque nós vamos organizar para poder chegar dinheiro”, afirmou.

Alexandre planeja que as equipes trabalhem de forma equivalente ao número de pacientes, mas mesmo que nem todos os leitos estejam ocupados, que eles fiquem ao menos na retaguarda. Disse também que já iniciou as tratativas com os governos federais e estaduais para manter os equipamentos. “Não vai desinstalar. Se precisar, eu (Prefeitura) pago, se não vier do governo. Não dá para ficar colocando culpa em um ou em outro e ficar sem leitos igual nós ficamos.”

 

Renda Franca

Durante a campanha eleitoral, Alexandre Ferreira disse que vai implantar o programa Renda Franca. Depois de ser eleito, voltou a falar sobre o programa que visa a beneficiar famílias que tiveram seus empregos atingidos pela crise. Segundo Alexandre, esse benefício deve começar em março de 2021.

“Serão entre 1.000 e 1.500 família beneficiadas, com um investimento de R$ 600 mil a R$ 800 mil por mês”, disse. A proposta é que assim que os favorecidos conseguirem algum emprego, eles parem de usufruir desse benefício para que outra pessoas possa participar. “A pessoa precisa do recurso? Então eu vou procurar creche para a criança dela, capacitar, oferecer oportunidades de contatos para que ela consiga um emprego.”

O planejado é que esse benefício seja de R$ 600 por mês, desde que a família cumpra algumas exigências, tais como colocar todas as crianças na escola e realizar a capacitação.

 

Transporte coletivo

Outro aspecto que deve ser abordado logo no início do próximo governo é o aumento das passagens do transporte coletivo. Há dez dias, a empresa São José protocolou na Prefeitura um pedido de aumento na tarifa, além de um auxílio. Alexandre disse que o primeiro passo é cumprir o contrato e pretende renegociar com a empresa algumas exigências.

“São quase seis anos sem reajuste. Não dá para penalizar a população e jogar a tarifa para R$ 7 porque o Gilson de Souza não fez o que tinha que fazer. Agora é segurar de qualquer maneira esse custo para não deixar esse aumento impactar... Na verdade vai impactar, mas sem impactar muito a população. É preciso renegociar muitas coisas, como o aumento de linhas e de carros”, disse.

Alexandre ainda estuda desonerar algumas categorias, como a dos estudantes. “Isso a gente ainda está pensando. Ao invés de pagar metade, eu posso desonerar o estudante, se der tudo certo na volta às aulas. Eu vou pagar a parte dele para a empresa. A diferença é que o dinheiro não sai do cidadão, sai da Prefeitura.”

 

Equipe de governo

De forma exclusiva, o prefeito eleito anunciou ao programa o segundo nome de seu secretariado. Nicola Rossano vai comandar a pasta de Planejamento Urbano, que pode passar a se chamar Secretaria de Infraestrutura. Nicola é um conhecido nome na área e atuou como secretário da mesma pasta durante o primeiro governo de Alexandre Ferreira.

Outra confirmação é de que a equipe de transição deve estar presente na composição do governo, no entanto, ainda não revelada em quais áreas. Fazem parte da equipe Fernando Baldochi, que foi vice-prefeito no primeiro mandato de Alexandre e trabalha na Secretaria de Saúde; Gian Carlo Fava, lotado na Secretaria de Serviços e Meio Ambiente; a ex-secretária de Finanças Neide Lopes; Pedro Silva Garcia, do setor de Tecnologia da Informação; e José Conrado Dias Neto, ex-secretário de Saúde.