Trabalhadores com 50 anos ou mais e pessoas com até o ensino médio representam o maior número de pessoas que perderam o emprego em Franca durante o ano de 2020. É o que revelam os dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), que contabiliza as admissões e demissões feitas na cidade de janeiro a outubro. Entre todas as faixas de escolaridade, 869 vagas de pessoas que tinham ensino médio completo foram fechadas. Ao mesmo tempo, o saldo de vagas abertas para quem tem ensino superior completo ou incompleto foi positivo, com a abertura de 337 novos postos de trabalho em Franca.
De acordo com o levantamento, pessoas com mais de 50 anos também foram as mais atingidas pela crise. No saldo total, foram 1.605 vagas fechadas para esta faixa etária. Enquanto que para pessoas de 17 até 24 anos, o resultado foi a abertura de 1.951 vagas. Paulo Sérgio Berbel, de 55 anos, viveu na pele essa realidade. Morador do Jardim Paulistano, ele está desempregado há três meses. Paulo espera voltar a trabalhar com locução. "Espero voltar a fazer o que eu gosto como locução interna de lojas. Voltar a atuar em radiodifusão."
Cássia Leandro, de 58 anos, também está há dois meses desempregada. "Pela idade, eles acham que a pessoa tem dificuldades. Eu acho isso um preconceito. Porque a pessoa que tem 58 anos, por exemplo, ela tem experiência, principalmente, no campo de serviços e limpeza", diz ela que tem ensino médio completo.
Cássia já trabalhou como auxiliar de cozinha e limpeza, em supermercado e como cuidadora de crianças e idosos. Divorciada e mãe de dois filhos, a moradora do bairro Cidade Nova busca um trabalho registrado, pois teme o futuro. "Eu não posso parar. Tem dia que consigo trabalhar em dois serviços, outros não. Quando vai aparecendo os extras eu vou fazendo, mas eu quero algo registrado. Preciso pensar no dia de amanhã."
Em situação parecida, Maria Conceição Lourenço Stabelini, de 54 anos, está sem carteira assinada há dez anos. Casada e mãe de três filhos, ela cursou até a sexta série - equivalente ao sétimo ano do ensino fundamental. A francana aponta a falta de qualificação como principal empecilho. "É difícil arrumar emprego por falta de formação. Em alguns momentos surgem vagas, porém, necessita de qualificação. Além disso, a idade também prejudica na procura por serviço."
Maria Conceição já trabalhou em escola e fábrica de calçados. A moradora do Parque Vicente Leporace ll também buscou outras áreas de trabalho para ganhar dinheiro. "Já busquei alternativas fora da minha área, por exemplo, costura e serviços em casa. Hoje, vendo joias e semijoias."
Números totais
Segundo os dados do Caged, em 2020, 31.170 pessoas foram admitidas em Franca enquanto 33.779 perderam seus empregos. Ou seja, de janeiro a outubro, a cidade teve um saldo negativo de 2.609 postos de trabalho fechados. O setor de Bens e Serviços Industriais foi o que mais contratou, ao fazer 11.586 contratações. Todavia, também foi o que mais demitiu, com um total de 13.803. Com isso, saldo negativo foi de 2.217 vagas.