09 de julho de 2026
COMÉRCIO

Comerciantes se animam com fim de ano; Acif prevê compras com média em R$250

Por Lucas Faleiros | da Redação
| Tempo de leitura: 5 min
Dirceu Garcia/GCN
Cleria dos Santos Diniz atende cliente em sua loja; ramo de roupas é o mais visado segundo pesquisa da Acif

Risco de contaminação pelo novo coronavírus, clientela receosa, prejuízos financeiros causados pela pandemia, horários reduzidos e ausência da iluminação temática de Natal no centro da cidade. Estes são alguns dos motivos que poderiam ser utilizados para justificar um hipotético desânimo vindo dos comerciantes francanos ao final deste 2020. Entretanto, nesta primeira semana de rotina especial, a situação foi exatamente a inversa. Mesmo com todos os elementos citados, os lojistas não se abateram e esperam uma alta nas vendas para os próximos dias de dezembro.

A principal esperança deles é de que os clientes mantenham o costume de realizar as tradicionais festas em família que ocorrerem nesta época do ano e, em consequência disso, tenham economizado parte da renda – mesmo em meio ao caos da pandemia – para adquirir presentes.

Cleria dos Santos Diniz é dona da loja de roupas Fulli Bibil. Para ela, o mês de dezembro será melhor do que o resto do ano. “Será muito bom em comparação com o que foi o restante de 2020. Porém, creio que, no comércio comum, onde as vendas são feitas diretamente nas lojas, vamos vender pouca coisa a mais. Não estou dizendo que será ruim. Vai ajudar muito. Mas, o comércio online é que vai fazer sucesso. Por isso os comerciantes estão investindo tanto nesse meio”.

Perguntada sobre o porquê de achar que as vendas não vão “decolar” durante os dias que antecedem o Natal, Cleria lista vários motivos que, segundo a sua opinião, atrapalharão lojistas que atuam presencialmente. Ela critica, inclusive, o cronograma horário definido pela Acif.

“Têm vários problemas. O primeiro deles é a própria pandemia. As pessoas vão sair menos de casa. Depois, vem a falta de iluminação do Centro. Além de atrair muita gente, as luzes ajudavam a iluminar o local. Sem elas, a praça Barão, por exemplo, fica toda escura. Fora isso, o horário escolhido para as lojas foi muito ruim. Quem definiu isso claramente não trabalha com comércio. Eles priorizaram a noite e deixaram o ‘drive-thru’ pela manhã. Mas, à noite, quem vem ao Centro é mais para passear. A maior parte das vendas ocorre pela manhã”, pontuou.

Já Joana d'Arc Barbosa, proprietária da Casa Guanabara Brinquedos há mais de 50 anos, acredita que a venda dos seus produtos deve aumentar bastante nos próximos dias mesmo com todas as limitações. “É comum que o Natal seja a melhor época em todos os quesitos. Isso não vale só para os brinquedos, mas também para a venda de diversos outros acessórios que vendo. A gente esperava muito por esse momento que, tradicionalmente, as pessoas compram mais”.

A negociante fez um balanço sobre o desempenho de seu estabelecimento no ano e contou que precisou se adaptar para vender à distância, já que seu ramo de atuação costumeiramente necessita das visitas presenciais dos clientes.

“Como a gente trabalha com o setor de brinquedos e conseguimos fazer vendas online, foi um ano até que razoável. Os primeiros dois meses de pandemia, quando precisamos fechar a loja e trabalhar de casa, foram muito difíceis. Foi necessária uma readaptação não só da empresa, como também do público, que tradicionalmente gosta de tocar nas coisas antes de comprar e não podia fazer isso. Depois as coisas começaram a caminhar. Esperamos nos reabilitar daqui pra frente”, relata.

Sirlene Aparecida Beloti é dona da Mundial Calçados. Para ela, o espírito natalino, que inspira as pessoas a presentearem seus familiares, amigos e até elas mesmas, vai ajudar os comerciantes a se recuperarem do prejuízo provocado pela pandemia.

“Eu creio que vai dar uma melhorada. Pelo menos é o que nós esperamos e pedimos a Deus. Com as festas de final de ano e o ciclo de compras que os clientes costumam estabelecer para presentear quem gostam, a tendência é vendermos mais. Precisamos disso para superar todo o restante do ano. Foram muitas dificuldades. Tivemos nos adaptar e aprender coisas novas dia após dia. Aqui na loja, as vendas caíram pela metade com a pandemia. O que fica é a expectativa para tudo melhorar”, conta.

Isabela de Oliveira Silva, vendedora da Stephanie Acessórios, diz que a loja precisou reduzir o investimento para o fim de ano. Mas, ainda assim, os donos esperam um bom lucro. “Aqui, nós tivemos que reduzir o número de produtos comprados para o estoque. O investimento foi um pouco menor. Porém, por ter muita coisa como maquiagens e produtos voltados para o público feminino, a nossa expectativa é bem grande. A gente sabe que mulher não deixa de gastar, né? (risos). Além disso, o brasileiro em geral sempre guarda um pouco de dinheiro para usar nessa época. Ele nunca deixa de ser feliz”.

Ela também relata que o estabelecimento começou a se recuperar das dificuldades há pouco tempo. “Quanto ao movimento, hoje em dia está bem legal e acredito que ainda vá aumentar mais um pouco. Apesar disso, nos meses anteriores a novembro, tivemos uma queda de mais ou menos 30% nas vendas. A gente também precisou ficar bastante tempo fechado e mais um período atendendo na porta. Foi bem complicado, mas depois passou”.

 

Intenções dos consumidores

Na última sexta-feira, 11, a Acif (Associação do Comércio e Indústria de Franca) divulgou uma pesquisa de intenção de compras feita na cidade. O resultado: mais da metade dos francanos irá às compras neste final de ano. 67% dos 201 entrevistados revelou que vai frequentar os estabelecimentos comerciais nos próximos dias com a intenção de comprar presentes.

A pesquisa indica, porém, que o perfil dos consumidores influencia em seus objetivos. Dos participantes que têm emprego atualmente, 71% pretendem presentear. Já entre os desempregados, esse número cai para 56%.

A renda familiar dos entrevistados também gera alterações. Entre as famílias que têm teto de faturamento até R$2 mil, a intenção de compras é de 62,5%. As que recebem valores superiores vão comprar mais: 79,7%.   

Os produtos mais visados estão no ramo de roupas e calçados, que corresponde a 39,3% das intenções. Seguido dos vestuários, vêm os brinquedos (9,3%) e eletrodomésticos (5,2%). O valor médio de gastos indicado pela pesquisa é de R$250. Segundo o Instituto de Economia da associação, as listas de presentes devem movimentar R$42 milhões em Franca.

Recentemente, o presidente da associação, Tarciso Bôtto, afirmou que, devido aos pagamentos do 13° salário e do Auxílio Emergencial, a economia da cidade deve receber uma injeção de R$225 milhões, o que vai estimular os francanos a irem às compras.